Caminhada até à Serreta

Todos os anos em Setembro realizam-se na freguesia da Serreta, ilha Terceira, as Festas da Nossa Senhora dos Milagres, levando a este santuário centenas de peregrinos que partem de todos os pontos da ilha, uns por devoção e movidos pela fé, outros motivados pela caminhada em si – normalmente mais jovens, em divertidos grupos. Eu já caminhei até à Serreta mais do que uma vez, motivado por ambas condições. Contudo ontem concluí o percurso mais longo que algumas vez percorri: cerca de 36 km. Eu e a Vanda saímos da nossa casa, na Praia da Vitória, eram 17:00h em ponto e chegámos à igreja da Serreta às 00:25h. Descontando cerca de 10 minutos dedicados a algum descanso, fizemos o percurso em 7:15h. Os primeiros dois quilómetros foram percorridos na brincadeira, saindo da estrada, saltando paredes e andando em cima de muros, por não termos alternativa no local onde nos encontrávamos. Foi bom para descontrairmos, tendo em conta os 34 km que tínhamos pela frente. Depois, fizemo-nos à estrada com o único objectivo de chegarmos ao nosso destino, onde dedicaríamos algum tempo à Senhoras dos Milagres, em consequência de um “pedido” que havíamos feito a ela há algum tempo.
A caminhada correu muito bem até faltar cerca de 8 km para o seu termo – até aí tinha sido um passeio, mais forçado e num ritmo mais acelerado do que uma caminhada “normal”, mas um passeio. A partir daí as pernas começaram a reclamar algum descanso, em consequência de umas pequenas cãibras que comecei a sentir no gémeo externo da perna esquerda e às quais não dei o tratamento adequado no momento certo. As cãibras passaram, mas as consequências acompanharam-me até ao fim. Percorri os últimos dois a três quilómetros com sacrifício e em completo esforço. A determinado momento, numa das últimas subidas, senti que não era eu que estava a caminhar, mas sim a nossa filha – ela foi o motivo do nosso encontro com a Senhora. A poucos metros da igreja a Senhora dos Milagres recebeu-nos com algum vento e fogo de artifício, uma coincidência que me emocionou, mas que contive interiormente (um homem não come mel, trinca as abelhas*)
Chegámos e agradecemos à Senhora. A Vanda portou-se melhor do que eu, o gajo das caminhadas, como ela dizia no fim, quando nos sentámos a descansar e a reflectir sobre as últimas horas, desde que saímos de casa.

* Um homem chora, sim. Se não o fizer não é bom sinal.
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Publicado por

Miguel Bettencourt

Marido, pai, informático e entusiasta da fotografia. Corro, não só pelo prazer que a corrida me proporciona, mas sobretudo porque posso correr.

2 opiniões sobre “Caminhada até à Serreta”

  1. Lindo texto Miguel, O nosso filhoto mais novo , nasceu a 6 anos, no sabado, destas mesmas festas. Temos por habito, visitar a igreja, e a Senhora dos Milagres, todos os anos (nunca em tempo da festa), antes de comecar as aulas. Para pedir um bom ano escolar para os três, e para agradecer sempre, a vida que nos corre tão bem. Os filhotes, já pedem para ir, já faz parte,da nossa rotina. Isto de fé e promessas, é tão bonito,e tão individual, ouvi uma senhora diser uma vez ” afilição é que faz a promessa” grande verdade……Abraço Diana

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