Na falta de fotografias, falemos um pouco da actualidade.

Poderão os estimados visitantes deste (photo)blog deduzir que terei entrado em ruptura de stock no que respeita a fotografias para publicar, face à ausência de publicações de posts deste género nos últimos dias. Não é o caso. Bom… mais ou menos. Acontece que tenho meia-dúzia de fotografias (não mais do que isso, confesso) que poderia publicar neste momento, mas por motivos puramente pessoais opto por não o fazer. E esses motivos não são mais do que uma esquisitice da minha parte – acontece-me por vezes observar uma fotografia e não reconhecer-lhe graça alguma, e dias depois chegar à conclusão que até gosto dela, acabando assim por partilhá-la convosco, publicando-a. Assim, para resumir, tenho neste momento guardadas algumas fotografias das quais não gosto muito, hoje, portanto não as publico aqui, mas também não as elimino porque amanhã poderei mudar de opinião. Basicamente é isto.
Não há fotografias, mas há novidades no espectro económico-social português, e aproveito esta oportunidade para manifestar um pouco do meu ponto de vista sobre o assunto que terá estragado o jantar – um momento de reunião familiar – de ontem a muitos portugueses.
Como todos vós certamente sabeis o Dr. Pedro Passos Coelho, primeiro-ministro da pátria dita lusa, dirigiu-se ontem à nação por volta das 19:00 horas para comunicar ao país que se estávamos enterrados na merda até à cintura, a partir de agora quem não quiser comê-la terá de erguer ligeiramente o queixo, mantendo-o nessa posição por um período que, segundo ele, prolongar-se-á até ao fim de 2013 – na minha humilde opinião 2013 é uma ilusão, mas deixo isso para quem realmente percebe da merda em que estamos metidos. Continuando, dizia eu que teremos de manter-nos firmes do pescoço para cima, portanto esqueçam essa coisa de apertar o cinto. A excepção vai para quem já há muito come merda em Portugal e para quem, no outro extremo, nunca teve – e dificilmente terá – a necessidade de sentir na pele o significado da expressão estar na merda, quanto mais comê-la.
Como já perceberam refiro-me às medidas apresentadas, ainda que em traços gerais, relativamente ao Orçamento de Estado para 2012. Uma delas, aquela que já é por excelência a manchete nos media, elimina os subsídios de férias e de Natal dos funcionários públicos e pensionistas que recebem acima de 1000 euros mensais. E esta é apenas uma das tais medidas que nenhum primeiro-ministro quereria anunciar, dizem uns, mas que garantidamente milhares de famílias não quereriam ouvir, pensam muitos mais. Por outro lado, e ainda relativamente a esta medida, vejo-me na obrigação de defender Passos Coelho de todos os que o acusam de ser mentiroso – isto é que me custa admitir. É importante não esquecer… (não estou a sentir-me muito bem). É importante não esquecer, dizia, que ele prometeu reduzir… (que raio, não me sinto mesmo bem, desculpem-me). Continuando, é importante não esquecer que ele prometeu reduzir a despesa pública. Portanto, comam – não a merda, mas as vossa palavras – e calem-se, todos vós que acusais o homem de não levar a cabo cortes sérios na despesa da máquina do Estado! (Vou vomitar)
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Publicado por

Miguel Bettencourt

Marido, pai, informático e entusiasta da fotografia. Corro, não só pelo prazer que a corrida me proporciona, mas sobretudo porque posso correr.

4 opiniões sobre “Na falta de fotografias, falemos um pouco da actualidade.”

  1. Miguel, mas queres reduções na máquina do Estado? Muito bem: onde cortar?

    Os hospitais funcionam com enfermeiros a menos, médicos estrangeiros porque não os temos cá e os que temos dividem-se com a clínica privada, poucos auxiliares e necessidade imperiosa de realização de horas extraordinárias.

    As escolas funcionam à margem da lei, sem psicólogos, com professores em regimes contratuais e horários que só visto, contado ninguém acredita.

    As forças de segurança debatem-se com problemas imensos. Aos polícias até o pagamento do material de segurança individual é pedido.

    A generalidade dos serviços dos Estado fazem MILAGRES, como por exemplo nas instituições da Segurança Social, sub-financiadas, com assistentes operacionais e cumprir funções de assistentes técnicos, e assistentes técnicos a fazer de técnicos superiores. Um nojo, que apenas não dá merda porque as pessoas – os tais calões dos funcionários públicos – têm um imenso espírito de missão…

    Repara: o problema está muito longe de ser “o fdp do Estado”. Ou será, sempre que as cúpulas fazem negócios ruinosos com empresas para as quais se transferem, quando a alternância burocrática muda as moscas do poder.

    6.6 milhões de euros saem de Portugal por dia. 19 das 20 maiores empresas do PSI-20 têm sede fiscal na Holanda, para não pagar impostos. As grandes fortunas por taxar. A taxação de capitais por fazer. As mais valias da bolsa a pagar impostos ridículos. E tu e eu, e mais 9 milhões e muitos a pagar.

    Deixa lá o “aparelho do Estado”. Porque quando eles começarem a cortar no estado é para passares a pagar TUDO o que o Estado ainda te fornece a custos reduzidos.

    (PS: NUNCA fui funcionário público)

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  2. Rui, compreendo e tenho consciência que pode não ser possível cortar em casos como os que referes. Mas, e as parcerias publico-privadas cujos custos ninguém sabe ao certo. E as reformas vergonhosamente elevadas, milionárias até, adquiridas à custa da “mama” do Estado. Enfim, não estou a referir nada que não te deixe também indignado.
    Abraço da ilha.
    – m

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  3. Ahhhh, essas. Essas sim. Mas isso não é “Estado”, isso é trafulhice pura. São negócios entre governantes e empresas que se piscam o olho mutuamente, para negócios que darão lucros substanciais a ambas as partes – ao dito governante e à empresa em causa – num futuro próximo.

    Já viste a infografia do Expresso?

    http://aeiou.expresso.pt/veja-os-rendimentos-de-15-politicos-portugueses-antes-e-depois-de-passarem-pelo-governo-grafico-animado=f680329

    Temos de defender o “Estado”, não atacá-lo. E defendê-lo sobretudo de gestores públicos – políticos ou nomeados – que gerem a coisa pública não acreditando nela.

    Miguel: temos 37 anos de gestão da coisa pública por gente que sonha noite e dia com metê-la a render no sector privado.

    Um grande abraço daqui para aí
    Hoje (como ontem e amanhã) é dia de INDIGNAÇÃO. E eu estou indignado à brava.

    Vasco

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