Por tudo isto e muito mais, temo pelo futuro da minha filha.

Não consigo limitar-me a preocupar-me com o futuro da minha filha, que vai agora a caminho dos seis anos de idade e a menos de um ano de ingressar no ensino básico. Temo, sobretudo temo, pelo futuro que ela encontrará em Portugal. O estado em este país se encontra não me permite depositar esperanças, grandes ou pequenas, relativamente à qualidade de vida que a minha filha poderá usufruir por cá. Se por um lado sou uma pessoa relativamente optimista por natureza, por outro, o pouco optimismo (o correcto seria chamar-lhe esperança) que tenho manifestado ocasionalmente, nos últimos meses, dissipa-se sempre que “regresso à realidade” (leia-se “quando a realidade se sobrepõe à esperança”) e volto a prestar atenção às linhas que estão – têm estado – a traçar o destino de Portugal.
Refiro-me a pilares – justiça, educação, saúde, cultura e acção social – que devem servir de base a um Estado Soberano e nos quais não prevejo alterações significativas de forma a proporcionarem a médio e longo prazo a dignidade a que a população tem naturalmente direito, salvaguardando a importância do papel dessa mesma população relativamente aos não menos importantes deveres que lhe são atribuídos com o mesmo objectivo, ou seja, atribuir responsabilidades a todos os agentes que intervêm directa e indirectamente na sustentabilidade de um Estado Democrático.
Refiro-me a uma população que teima em prestar mais atenção à banalidade proporcionada pelas redes sociais e pelos reality shows, enquanto desfila numa feira de vaidades onde a palavra de ordem é “Aparência”, normalmente associada à teimosia de se ser importante por via do lugar que se ocupa na sociedade (status social, emprego e poder de compra, entre outros que todos reconhecemos em nós próprios e nos outros). Não seria muito mais útil para a sociedade sentir-mo-nos importantes pelo que realmente somos, sem falsas aparências?
Refiro-me a uma classe política que não pensa, nem tão pouco governa, com objectivos a alcançar a longo prazo – Portugal tem sido governado por políticos cujos objectivos não ultrapassam o calendário eleitoral.
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Publicado por

Miguel Bettencourt

Marido, pai, informático e entusiasta da fotografia. Corro, não só pelo prazer que a corrida me proporciona, mas sobretudo porque posso correr.

2 opiniões sobre “Por tudo isto e muito mais, temo pelo futuro da minha filha.”

  1. Não podia estar mais de acordo, Miguel. Só se fala da crise económica. No entanto, esta não é a pior. Piores são as outras (que também levam a esta). Infelizmente, também não vislumbro um futuro risonho para os nossos filhos. Só nos resta proporcionar-lhes uma educação o melhor possível e incutir-lhes valores essenciais, para que não se deixem levar por esta crise que assola o país (e não me estou a referir à financeira). Bom fim de semana.

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