Desta SOPA (Stop Online Piracy Act) não comemos.

É curiosa a forma como alguns órgãos de comunicação social portugueses têm abordado a polémica instalada em torno do projeto de lei “SOPA – Stop Online Piracy Act”, da autoria de Lamar Smith com o apoio de um grupo bipartidário na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos da América. Refiro-me concretamente à interpretação aplicada por alguns media portugueses relativamente às vozes de protesto que alguns dos nomes grandes da Internet decidiram aplicar como forma de descontentamento em relação aos objectivos propostos pelo texano Smith e com o apoio conivente dos grandes lobbies das indústrias cinematográficas e musicais norte-americanas – a Wikipedia, por exemplo, encerrou hoje o site por um período de 24 horas. Ora isto não significa que esta fonte de informação online (a maior, por sinal), assim como a Google ou ARStechnica, sejam a favor da pirataria. São é contra, isso sim, a possibilidade de interesses financeiros virem a obter poderes abusivos e excessivos sobre a Internet.
Quem não souber ao certo do que se trata a SOPA e a PIPA clique aqui. Não se deixem ficar apenas pelo que é despejado pelos media e procurem a informação correcta – não deixem que ela vos seja atirada à cara de qualquer forma. Um dos males da sociedade é o povo comer (seja sopa ou outra coisa qualquer) e ficar calado.

Adenda:
Neste post, o Marco do Bitaites descreve em termos práticos e acessíveis alguns resultados radicais – mas possíveis – em consequência de intenções extremistas. Querem um exemplo?

“Imagine uma outra situação: você tem um blogue no SAPO. Não o abriu para fazer dinheiro ou partilhar conteúdo protegido por direitos de autor, mas porque adora partilhar as suas ideias e vivências com outras pessoas. Como é um bom comunicador e ajeita-se a escrever, o pequeno blogue começa gradualmente a receber visitas e comentários. 

Numa Internet portuguesa imersa numa «SOPA» legislativa com os mesmos condimentos da que está a ser provada nos Estados Unidos, poderiam fechar-lhe o blogue de um dia para o outro: bastaria que um visitante colocasse na zona de comentários, sem você se aperceber, um link para um site pirata. 

Em última análise, por absurdo que pareça, um único link poderia conduzir ao encerramento do próprio serviço de blogues do SAPO, caso este se recusasse a ceder às exigências do detentor de copyright do material pirateado.”

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Publicado por

Miguel Bettencourt

Marido, pai, informático e entusiasta da fotografia. Corro, não só pelo prazer que a corrida me proporciona, mas sobretudo porque posso correr.

One thought on “Desta SOPA (Stop Online Piracy Act) não comemos.”

  1. É um absurdo o que essa SOPA está a tentar fazer. É impossível os owners dos sites controlarem o conteúdo dos seus utilizadores, sendo que estamos numa época de Web 2.0 em que o conteúdo dos sites é colocado pelos próprios utilizadores e não administradores. Enfim… se assim fosse era o fim da internet e liberdade de partilha. Mais valia não partilhar. Básicamente, internet deixava de ter sentido.

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