O célebre discurso do 10 de Junho

Só hoje ouvi o célebre discurso do professor António Manuel Seixas de Sampaio da Nóvoa, aquando das comemorações do 10 de Junho, cuja cerimónia, este ano, foi por ele organizada.
Não posso concordar mais do que a minha consciência permite com as palavras proferidas por Sampaio da Nóvoa. E o que a minha consciência me permite não vai além da mensagem dos princípios referidos no discurso, nomeadamente no que respeita às desigualdades sociais (e respectivas motivações e consequências) que, tendo sempre existido na sociedade, foram um dos pontos de alerta que o orador sublinhou, talvez por ter consciência que o drama social é proporcional às desigualdades a ele inerentes.
Mas, discordando com a maior parte das reacções populares ao discurso, não entendo que este tenha sido proferido com o objectivo de fazer chegar a mensagem ao topo da hierarquia da política portuguesa. É certo que se o Presidente da República, o Primeiro Ministro e restantes membros do Governo e outras figuras que desempenham, ou desempenharam, cargos de governação (e de oposição, convém não esquecer) nos últimos anos, optassem por não ouvir as palavras de Sampaio da Nóvoa numa sessão solene como a do 10 de Junho, não tenho dúvidas que assim seria. Escolheriam ouvir um discurso de optimismo, esperança e de cinismo e hipocrisia. Estou convencido (mesmo que a minha convicção não corresponda à realidade dos factos) que o discurso não teve como destinatários os altos representantes do Estado.
Acredito, sim, que foi um discurso destinado ao povo. Acredito que foi um discurso destinado ao povo, porque de uma forma geral o povo tem a necessidade de saber (ou pensar) que há nos corredores do poder quem pense como o povo, que é quem está a viver a actual crise.
Estou farto de ouvir aquilo que estou farto de saber, seja pela boca dos políticos, ou dos comentadores (os pseudo-comentadores, já nem os ouço ou leio) ou da comunicação social. E esta, como é sabido, em muitos casos não vale a tinta que gasta.
Não tenho motivos para não respeitar o Professor Sampaio da Nóvoa, enquanto ilustre individualidade da sociedade portuguesa, mas não posso deixar de sentir que eu poderia ter empregue melhor os 15 minutos que dispensei a ouvir um discurso cujo conteúdo não acrescenta nada de novo.
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Publicado por

Miguel Bettencourt

Marido, pai, informático e entusiasta da fotografia. Corro, não só pelo prazer que a corrida me proporciona, mas sobretudo porque posso correr.

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