Na Internet, até a avó vende o carro.

No que respeita a hábitos de consumo, podemos afirmar, sem margem para erros, que a Internet revolucionou a forma como os consumidores adquirem bens e serviços de que necessitam, ou simplesmente pretendem obter.
Em frente ao ecrã do computador temos ao nosso alcance um gigantesco e interminável centro comercial, onde tudo se vende e tudo se compra, proporcionando aos consumidores as condições necessárias para adquirirem o que quer que seja sem a necessidade de sairem de casa.
Neste sentido, recordo-me bem da minha primeira compra online. Vivíamos uma época, longínqua, em que a ligação à Internet era feita através de um arcaico modem analógico. Naquele tempo a ligação era conhecida como dial up – para a miudagem que só conheceu o ADSL, o dial up talvez seja um mito, mas desenganem-se, aquilo para nós era uma coisa do outro mundo, acreditem.
Não me recordo do nome da plataforma de classificados online a que recorri, mas sei que era portuguesa e a “chunguice” da coisa estava à altura da época – falo do fim do século passado e estavam a ser dados os primeiros passos no desenvolvimento de plataformas de classificados online. Naquela primeira compra tive tanto de ingénuo como de sortudo, de forma que até acabou por correr bem, devido basicamente a dois motivos: o pagamento foi à cobrança (o que por si só não é necessariamente garantia de um bom negócio) e o vendedor veio a revelar-se um tipo sério.
O que comprei foram CDs de música, originais mas usados, vendidos por um tal de – se não me falha a memória – João qualquer-coisa e que tinha morada em Vila Nova de Gaia. Ainda hoje tenho esses CDs. São eles: 2 dos The Stone Roses, 2 dos Happy Mondays, 3 dos The Wonder Stuff, 3 dos Soul Coughing e 2 ou 3 dos The Charlatans. Custaram-me meia-dúzia de contos de reis e, considerando a relação preço-qualidade, constituíram uma das melhores compras que fiz durante os 38 anos da minha existência.
Partilho esta história consigo, estimado visitante do One More Shoot, em virtude da memória que guardo desta minha primeira compra através da Internet, que recordei há pouco enquanto percorria a plataforma de classificados online OLX, cujo anúncio publicitário que tem passado na TV acaba por unir duas realidades distintas, protagonizadas por três gerações de consumidores.
As diferenças entre as condições de negócio que (não) tínhamos à disposição quando comprei os tais CDs, há pouco mais de uma década, e as que marcam a realidade actual são facilmente identificadas. A Internet evoluiu e foram desenvolvidas ferramentas de apoio ao e-commerce, para que o conceito por detrás desta forma de fazer negócio viesse a tornar-se naquilo que é hoje: um meio tão natural de vender e de comprar como é o (ainda) tradicional.
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Publicado por

Miguel Bettencourt

Marido, pai, informático e entusiasta da fotografia. Corro, não só pelo prazer que a corrida me proporciona, mas sobretudo porque posso correr.

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