Austeridade v.2.013

Esta manhã, ainda nem eram 08:30h, tive conhecimento das medidas de austeridade v.2.013 apresentadas pelo primeiro-ministro (permitam-me dispensar as maiúsculas nas iniciais) para o próximo ano. Nada de novo em traços gerais. Sabíamos que de uma ou de outra forma a matriz adoptada quer pelo governo anterior quer pelo actual manter-se-ia na linha da frente, porque é a mais fácil de implementar, de executar e com resultados mais rápidos – o aumento contribuição para a segurança social, falida há muito, dos 11 para os 18% é um claro exemplo disso mesmo.
Sobre o que aí vem, não posso concordar mais com os comentários de Nicolau Santos, no Expresso (link) e que transcrevo para aqui, e de José Gomes Ferreira, no vídeo abaixo.
Diz o director adjunto do Expresso que:

“O que levou o primeiro-ministro a anunciar novas medidas de austeridade para 2013 quando na próxima semana serão conhecidas os resultados da quinta avaliação da troika ao memorando de entendimento que o país assinou? A resposta só pode ser uma: a troika vai aceitar a derrapagem do défice orçamental este ano (5,3% contra os 4,5% definidos) mas vai manter o objetivo de 3% em 2013. E isso quer dizer outra coisa: a austeridade será mais pesada no próximo ano mas, ao contrário do que pediu o Presidente da República, agravará as desigualdades. Com efeito, em 2013, os funcionários públicos ficam sem dois subsídios e os trabalhadores do setor privado sem um. É o caminho para nunca mais existirem. Em contrapartida, as empresas tem a sua tesourariao aliviada em €2100 milhões de contribuições para a Segurança Social. Espera assim o primeiro-ministro que o setor privado consiga, por esta via, contribuir para combater o flagelo do desemprego. É muito pouco provável. Com estas medidas, a procura interna vai afundar-se ainda mais no próximo ano. As empresas venderão menos – e quando muito manterão os atuais postos de trabalho. Seguramente que não investirão nem contrarão mais gente. Tentarão sobretudo sobreviver até passar o mau tempo. Quem ganhará serão as empresas exportadoras, que ficam com margem para tornar os seus produtos mais competitivos. Mas a recuperação da economia e o combate ao desemprego não podem assentar apenas em 18.000 empresas exportadoras.
O atual colapso da economia portuguesa não é apenas resultado de erros acumulados no passado. Resulta tambem da orientação económica que tem vindo a ser seguida. As medidas ontem anunciadas insistem no mesmo caminho. É pouco inteligente pensar que os resultados serão diferentes.”

Por sua vez, José Gomes Ferreira afirma o seguinte:

Subscrevo, ambos. Mais, é tão certo o facto de eu não ter ficado surpreendido com a apresentação das medidas de austeridade anunciadas para o próximo ano (a juntar às que fazem já parte integrante do dia-a-dia da maioria dos portugueses), como é angústia que sinto em relação ao futuro, a médio e longo prazo. Isto (só) assim não vai lá.
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Publicado por

Miguel Bettencourt

Marido, pai, informático e entusiasta da fotografia. Corro, não só pelo prazer que a corrida me proporciona, mas sobretudo porque posso correr.

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