Momo – A coragem para mirar o abismo

“Cadafalso” (2013) enche-me as medidas da sensibilidade com as melodias e as letras de Momo, alter ego de Marcelo Frota. O texto abaixo, escrito por Wado (nome artístico de Oswaldo Schlikmann Filho, um cantor e compositor brasileiro de música popular brasileira), foi copiado do website oficial de Momo, onde é possível obter gratuitamente o álbum “Cadafalso” – como afirma o próprio Wado, também eu o recomendo sem sobressaltos. Bom fim-de-semana. E já agora, bom ano 2014.
Momo chega agora com disco mono, cantado e tocado simultaneamente, e desnuda seu universo em álbum de grande refinamento e técnica. Em Cadafalso, o artista retoma, encara e renova o formato violão e voz.
A terra natal é Minas, o pai é cearense, a vida é vivida no Rio de Janeiro. E é sobre este chão flutuante que meu talentoso amigo, o compositor Marcelo Frota, nos apresenta mais um punhado de pérolas em seu disco solo mais brasileiro.
Momo traz na bagagem três discos respeitados no Brasil e no mundo. Mas o que antes se rotulava como folk brasil agora flerta com a música nordestina, com o samba.
O disco é vivo e orgânico, resultado de uma produção que optou por usar o mínimo de ferramentas e recursos de estúdio para deixar voz e violão atuando como protagonistas. O que se ouve é uma sonoridade crua. Voz e violão sem overdubs. Funciona bonito. É quase uma massa de modelar no sentido de ser uma coisa só: o canto juntinho do violão.
Momo encontrou uma forma de execução rara de se encontrar na cena atual e sua poesia – e nisso estou envolvido – encontra caminhos novos e inusitados, vezes evitando rimas e noutras nos jogando imagens bonitas, porém desconcertantes.
Cadafalso, por exemplo, é um samba de beira de abismo com clima barroco. Já a versão de Eu vou para o Ceará, de Humberto Teixeira, é um dos momentos mais singelos do disco. Nela, o grande parceiro de Luiz Gonzaga é o fio condutor de uma homenagem que Momo faz à terra onde passou grande parte de sua infância e adolescência.
É bonito ver a transição de Momo, perceber que seu romantismo agora habita uma poesia mais urbana e existencialista. Tenho a maior honra de ver nossa parceria crescendo, azeitada em três momentos deste disco, como na enigmática Copacabana.
É Momo em mais uma polaróide, mais um lindo retrato de um momento da vida deste grande amigo. Recomendo sem sobressaltos.
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Publicado por

Miguel Bettencourt

Marido, pai, informático e entusiasta da fotografia. Corro, não só pelo prazer que a corrida me proporciona, mas sobretudo porque posso correr.

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