Faz uma pausa e vira uma fresca!

A minha corrida matinal de ontem foi em Angra do Heroísmo. Saí da casa da minha mãe, onde deixei as minhas filhas, e fiz-me à estrada em direcção ao Monte Brasil. Para chegar lá tive que passar por uma das zonas da cidade onde ainda havia malta a queimar os últimos cartuchos da noite de São João.
Cruzei-me com umas pessoas minhas conhecidas que não se pouparam às “bocas” quando me viram a correr àquela hora – passavam poucos minutos das 09h, não era assim tão cedo portanto. Não foram “bocas” ofensivas, pelo menos não as interpretei dessa forma, e limitaram-se a qualquer coisa como: “Epá, pára aqui a beber uma fresca com a gente, como nos velhos tempos!”. Sorri, agradeci e segui. Tinha cerca de 10 km pela frente até completar a corrida, no local onde a iniciei.
Sem entrar em pormenores sobre o meu passado “boémio” (as aspas reflectem a respectiva dose q.b., com alguns excessos pelo meio), nos momentos imediatamente após aquele encontro, já o Monte Brasil estava a escassos minutos de distância, dei por mim a recordar os anos em que eu próprio festejava a noite de São João até ser dia e admiti que naquele tempo eu teria tido a mesmíssima reacção se visse alguém conhecido a correr na manhã que se segue àquela que é provavelmente a maior noite de farra colectiva nas ruas da cidade.
Ora, isto não significa que não volte a festejar uma qualquer noite até o dia acordar, ir para cama com a cabeça mais pesada do que o resto do corpo, perder um dia deitado a destilar o álcool e outro a recompor-me. Isso não está fora de questão. Apenas não tem feito parte dos meus planos. Estarei a ficar velho?… Penso que não. Aliás, sinto-me mais novo.
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Publicado por

Miguel Bettencourt

Marido, pai, informático e entusiasta da fotografia. Corro, não só pelo prazer que a corrida me proporciona, mas sobretudo porque posso correr.

3 thoughts on “Faz uma pausa e vira uma fresca!”

  1. 🙂 Aconteceu-me parecido quando comecei a trabalhar. Se ia tomar o pequeno-almoço antes de entrar ao serviço às 6 da manhã, encontrava alguém conhecido que tinha de me cheirar o hálito antes de acreditar que não tinha andado nos copos!

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  2. Eu nunca fui muito de noitadas. Desde novo que fiz actividades de ar livre que me obrigavam a aproveitar o dia, tendo forçosamente que usar a noite para dormir. Não critico quem consome o dia a dormir para curtir a noite toda, mas não trocaria de forma alguma o prazer de uma corrida ou uma escalada pelo prazer de uma noite de copos. É a minha opinião. Não tem que ser a de outros.
    Hoje corri com um amigo aqui de Sintra da cota 0 à cota 500 em 50 belíssimos minutos de trail. Não há copos que paguem o prazer que retirei daquele treino.
    Partilhar contigo este gosto aproxima-nos. Fico contente com isso.
    Grande abraço. Boas corridas.

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  3. Não me lembro da última vez em que senti esse efetivo prazer de correr. Há bem perto de duas décadas, uma lesão chata e uma preguiça assumida, retiraram-me da senda dos bons resultados que não cheguei a abeirar no meio-fundo curto, em que penso tinha características físicas para bem mais do que fiz. Fiquei-me sempre pelas disciplinas técnicas, bem mais de explosão e inspiração. Um dia destes, hei voltar a provar o amargo da respiração cansada, que nos põe as endorfinas em rodopio. 😉 PS-Às 8h30 do dia 24, a Rua de São João estava brutal 😉

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