Kathrine Switzer – Correr contra a discriminação

Imaginar que o mundo seria possivelmente um lugar melhor se fosse comandado, ou gerido, apenas por mulheres, é algo que me agrada. Não estou a insinuar que todas as mulheres são um poço sem fundo de virtudes. Não, nem de perto nem de longe. É óbvio que nem todas as mulheres conseguem alcançar tamanha proeza, até porque tenho conhecido algumas que são autênticos demónios – uns estupores!
Acontece que ao longo da história da humanidade as mulheres têm desempenhado papeis que lhes possibilitaram, por força de circunstâncias e normalmente impostas pelos homens, adquirir virtudes dificilmente ao alcance do sexo que se julga o mais forte. Refiro-me, sobretudo, às restrições, quer em termos sociais, quer individuais, que as mulheres sofreram ao longo de anos, décadas, séculos. Ou seja, tiveram que lutar, muito, para poderem estar onde estão hoje. E toda essa luta seria desnecessária se os homens não se sentissem ameaçados pela força interior feminina, a qual abafaram durante tanto tempo através da imposição da força e do medo.
A Mulher teve que lutar para ficar em pé de igualdade com o homem, a vários níveis: social e político, por exemplo. Igualdade essa que, lamentavelmente, ainda hoje é ignorada e recusada em algumas culturas e sociedades, inclusive em alguns sectores e mentes enclausuradas do mundo dito civilizado.
Também no desporto a Mulher teve que lutar e marcar uma posição. O exemplo de Kathrine Switzer demonstra isso mesmo.
Em 1967 Kathrine Switzer borrifou-se para as regras impeditivas na época e participou na emblemática maratona de Boston, iludindo a organização no processo de inscrição na prova, inscrevendo-se como K.V. Switzer, o que lhe permitiu receber o respectivo dorsal. Já a maratona ia na estrada quando a organização percebeu que K.V. era uma mulher. Tentaram impedi-la de continuar, e não fosse a intervenção do marido da maratonista e de alguns amigos e ela não teria conseguido manter-se em prova – Kathrine alcançou a meta com o tempo de 4 horas e 20 minutos.
Nesse mesmo dia uma outra mulher, Bobbi Gibb, correu o mesmo percurso sem estar inscrita na corrida. Cinco anos depois foi autorizada a participação de mulheres na maratona de Boston.
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Publicado por

Miguel Bettencourt

Marido, pai, informático e entusiasta da fotografia. Corro, não só pelo prazer que a corrida me proporciona, mas sobretudo porque posso correr.

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