Hábitos

Estive duas semanas e qualquer-coisa, quase três, sem correr de manhã, antes de preparar-me para o dia de trabalho e doméstico-familiar, digamos assim. Durante este período tive oportunidade de correr com mais frequência ao fim do dia, não todos os dias, mas os suficientes para as produções necessárias e recomendadas de endorfina, proporcionando as respectivas doses de prazer e bem-estar. Tudo isto associado aos restantes benefícios inerentes à prática regular de exercício físico, pois bem.
Hoje quebrei o jejum temporário e voltei a levantar-me às seis da manhã para correr. Custou-me quase como nunca o tivesse feito, ou não o fizesse frequentemente (quase diariamente) há mais de um ano. Iniciei e terminei a corrida antes de ver a luz do sol em toda a sua propriedade, como acontece nas corridas madrugadoras durante os meses do Outono e do Inverno. O treino não me rendeu na medida em que eu estava habituado até há quase três semanas atrás.
Comecei a sentir a falta de rendimento físico e de disponibilidade mental logo nos primeiros metros do treino e isso possibilitou-me reflectir, enquanto corria, acerca dos hábitos que temos e do quanto dependemos deles, ou não, consoante um sem número de factores.
No meu caso – e acredito que sucede o mesmo com a esmagadora maioria das pessoas que alcançaram o hábito de correr -, quebrar temporariamente um dos diversos hábitos associados à corrida, neste caso relacionado com o período do dia em que corremos, mas que pode ter outros motivos (lesão ou indisponibilidade, tenha a ela a origem que tiver) é quase como correr para trás, se é que me consigo explicar.
Não sendo um atleta, não no verdadeiro sentido do termo, cheguei a um ponto em que o meu corpo e a minha mente necessitam da corrida como eu nunca imaginem que necessitariam um dia. No fundo, não me preocupa se o rendimento físico é maior ou menor, resultando do período em que corro, ou se em função de qualquer outra condicionante. É esta uma das conclusões a que cheguei no fim do treino esta manhã. Não foi a primeira vez que o concluí, nem a última, certamente.
Entrei em casa, tomei duche, vesti-me, preparei o nosso pequeno-almoço, ajudei a Vanda a preparar as lancheiras das miúdas, deixei-as nos locais habituais e fui trabalhar. Mais um dia feito de hábitos, com um brinde: celebro hoje mais um aniversário de nascimento, um hábito que se repete todos os anos. Já lá vão quarenta e um.

Nota: Em algumas (escassas) passagens deste pequeno testemunho, a expressão “hábito” deveria ser substituída por “rotina”. Seria justo que assim fosse. Acontece que evito-a sempre que posso, inclusive na escrita, daí tê-la escrito apenas um vez, e apenas nesta nota.

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Publicado por

Miguel Bettencourt

Marido, pai, informático e entusiasta da fotografia. Corro, não só pelo prazer que a corrida me proporciona, mas sobretudo porque posso correr.

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