Educação e Ensino: as reformas têm que dar lugar à transformação.

Com base na informação divulgada pelo Ministério da Educação no início de Fevereiro, o número de crianças em regime de ensino doméstico em Portugal quadruplicou em apenas um ano.
É uma boa notícia, a meu ver. Na sua essência, esta informação reflecte o erro que é o modelo de ensino oficial, ou tradicional, e no qual têm insistido os sucessivos governos nas últimas décadas.
A notícia refere a falta de confiança no ensino público como principal motivo para o aumento do número de crianças em regime de ensino doméstico. Porém, e na minha opinião, o motivo apontado deve ser extensivo ao ensino privado, tendo este a agravante (na perspectiva que estou a considerar) de constar no topo dos rankings das escolas, o que faz com que para as escolas privadas se torne cada vez mais apetecível aproveitar estas classificações para aumentar os valores das respectivas mensalidades com base nos resultados que os alunos obtém nos exames – exames que nada de benéfico acrescentam à avaliação de um só aluno, mesmo admitindo que possa obter a melhor nota que lhe for possível alcançar, com base no trabalho e no estudo (bem como no stress consequente da pressão que lhe é imputada e privando-a de ser criança como deveria naturalmente ser).
Mas nem vou insistir, agora, em “pormenores” de opinião relativamente aos exames, nem a outros males de que sofre a educação e o ensino em Portugal (não só, mas também).
O actual modelo de ensino apadrinhado por paradigmas obsoletos está a caminhar em sentido contrário ao da evolução da sociedade. Imaginem, por exemplo, que a evolução da medicina teria estagnado no início do século XX, como aconteceu com a educação, que se mantém praticamente idêntica ao que era há cem anos atrás. Pensem apenas nisto.
Citando Ken Robison, a quem já fiz diversas referências neste blogue e cujas palavras subscrevo na íntegra, “O facto é que, tendo em conta os desafios que enfrentamos, a educação não precisa de ser reformada. Precisa de ser transformada. A chave dessa transformação não está em uniformizar a educação, mas sim em personalizá-la: colocar os estudantes num ambiente onde queiram aprender e descobrir os talentos individuais de cada criança, identificando de forma natural as suas verdadeiras paixões.”.

Anúncios

Publicado por

Miguel Bettencourt

Marido, pai, informático e entusiasta da fotografia. Corro, não só pelo prazer que a corrida me proporciona, mas sobretudo porque posso correr.

2 opiniões sobre “Educação e Ensino: as reformas têm que dar lugar à transformação.”

  1. Concordo em absoluto com o que dizes e queria apenas aqui reforçar que para a maioria dos pais em ensino doméstico os resultados não interessam para nada.
    Claro que existem excepções, mas na realidade, quem escolhe este caminho procura mesmo descobrir esses tais talentos e as verdadeiras paixões dos seus filhos e ajudá-los nessas conquistas pessoais.
    Um beijinho para os 4!!
    Raquel

    Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s