Um futuro brilhante

Por Pedro Alves (candidatura cidadã Livre / Tempo de Avançar – Açores, aqui)

Vivemos num mundo onde cada vez a informação é o bem mais abundante. Teoricamente qualquer pessoa pode investigar, explorar, descobrir, estudar qualquer tema que lhe interesse; desde os mais banais (como fazer tricô ou nós de gravata) aos mais esotéricos e bizarros (desde extraterrestres, a levitação, ou pirâmides na Ilha do Pico). Basta aceder à Internet e correr uma busca sobre qualquer tema, a quantidade de informação é normalmente avassaladora.

Apesar desta facilidade de acesso à informação, vivemos a meu ver, numa era onde mais do que nunca reina a má informação, a desinformação, o engano, a mentira, o “spin”. Mas no mundo da Internet a informação é selvagem e tem vida própria, não obedece a ninguém. Daí que a contrainformação e a propaganda estejam mais fortes que nunca. É a antiga história de “uma mentira contada tantas vezes torna-se realidade”. Tanto quanto possa entender, a estratégia resulta.

Enquanto permanecermos sentados frente ao sofá aceitando impavidamente o mundo que a televisão nos apresenta, ou aceitarmos acriticamente aquilo que lemos nos jornais, todo um mundo ficará por conhecer e explorar. Há apenas uma pequena fração da realidade que nos pode chegar por esse meio. É cada vez mais comum encontrar pessoas que afirmam ter curado a “depressão da crise” apenas por deixar de ver televisão e de seguir as notícias. Poderia dissertar sobre os efeitos psicológicos desta decisão e tecer vários argumentos sobre os benefícios de deixar de seguir os noticiários carregados de notícias negativas, sobre desgraças, acidentes, crise, catástrofes. Aliás, quase tudo situações sobre as quais nada podemos fazer a não ser deprimir sobre elas.

Existe um mundo de possibilidades, um mundo de experiências económicas, políticas, sociais, tecnológicas e até mesmo espirituais à espera de ser descoberto. Existem neste momento tantos projetos, ideias, iniciativas, investigações… bem como um vasto grupo de pessoas a trabalharem dia e noite para criarem um mundo melhor. Mas quantos de nós estamos a par disso? Quantos de nós conhecemos o seu trabalho? Ou estaremos apenas presos na lógica do FMI e da escravidão aos mercados? E se vivêssemos num mundo onde estes exemplos fossem a regra? Exemplos como: carros elétricos supereficientes, ou movidos a água (hidrogénio); escolas para crianças com problemas de comportamento que conseguem melhorias apenas pela mera adoção de uma dieta vegetariana; projetos sociais que melhoram o comportamento e a taxa de sucesso escolar com programas de arte ou com hortas escolares; pessoas que reabilitam jovens criminosos através da prática de agricultura em hortas urbanas; comunidades que melhoram o seu nível de vida através da criação de moedas locais; um homem pobre que sozinho durante mais de 40 anos plantou uma floresta de vários hectares onde antes não existia nada; sistemas prisionais que reabilitam com sucesso os prisioneiros através de práticas como o Yoga e a meditação; sistemas de educação alternativos onde as crianças tem oportunidade de desenvolver todo o seu potencial; comunidades sustentáveis em termos energéticos e alimentares.

E se existir um futuro brilhante à nossa espera? E se aquilo que nos dizem ser impossível já existisse em alguma parte do mundo? Será que a televisão nos conta toda a verdade? Será que todo o mundo pode realmente estar contido na caixa mágica? Na era da informação a Internet tornou-se num meio subversivo onde indivíduos e comunidades pelo mundo se podem conhecer, trocar experiências e ganhar consciência do enorme potencial humano ao seu dispor. Se não é por falta de talento, inteligência, recursos ou tecnologia que não temos um mundo mais eficiente, mais justo e mais ecológico. Então o que nos impede de caminhar para um futuro brilhante?

* Artigo de opinião publicado no Diário Insular de sexta-feira, 5 de Junho de 2015 (diarioinsular.com) e no blog Pensar Global (pedromalves.wordpress.com).

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Publicado por

Miguel Bettencourt

Marido, pai, informático e entusiasta da fotografia. Corro, não só pelo prazer que a corrida me proporciona, mas sobretudo porque posso correr.

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