E de repente conheci Brigitte Fontaine.

Fico sempre feliz quando conheço maravilhas ao acaso, na eventualidade do acaso efectivamente existir. Se o acaso for fruto da nossa mente, para justificar o que não conseguimos, ou não queremos, explicar, então estava escrito algures no cosmos que eu não haveria de deixar a vida terrena sem antes conhecer a música de Brigitte Fontaine. Aliás, pergunto-me agora onde terão estado elas – a Brigitte e a sua música – nestes quarenta e um anos que levo de vida.
Foi preciso eu tropeçar num vídeo que por mais interessante que possa ser ficou abafado pela respectiva música de fundo. Quem criou o vídeo escolheu mal a música, portanto. Como na ficha técnica do vídeo não havia referência alguma à música (o que compreendo, pois os créditos não deveriam ficar em mãos alheias), não descansei enquanto não descobri que música era aquela que me fez rodar o vídeo três vezes seguidas, praticamente sem olhar para as imagens. O facto de não haver qualquer outro som no vídeo a atrapalhar, como um locutor por exemplo, fez com que a música e a voz de Brigitte Fontaine não demorassem muito tempo a convencer-me de que tinha encontrado algo que deveria conhecer melhor. Em boa hora o fiz. Dois ou três clicks no espaço de segundos levaram-me à fonte. Nem foi necessário recorrer ao Soundhound.
Le gougron” é o nome da música que eu procurava. Abro o Rdio, procuro pela Brigitte e voilá.
Tenho estado a ouvir os álbuns, um-a-um, com a atenção merecida. Ainda não os ouvi todos, mas estou já convencido de que do ponto de vista musical passei ao lado de algo autêntico, genuíno, no verdadeiro sentido dos termos, durante muito tempo.
Estarei a exagerar? Será a música de Brigitte Fontaine assim tão interessante? Bom, para mim é das melhores coisas que tenho ouvido dentro do género. Ou melhor, dos géneros: do rock melódico ao jazz, do folk à música electrónica, da música do mundo à poesia. Ela chega a todos estes domínios.
Esta senhora, nascida em 1939 em Morlaix, região britânica da França, é considerada uma vanguardista e esta característica nota-se perfeitamente na sua música. Ela leva no currículo colaborações com Stereolab, Gotan Project, Sonic Youth (como raio é que nunca dei conta disto?), Noir Desir, Archie Shepp e The Art Ensemble of Chicago, entre outros nomes conhecidos do universo musical. Além de cantora e compositora, é também escritora, actriz e dramaturga.
Fica sugestão a quem não a conhece. A quem interessar, sugiro começar pelo álbum “Comme À La Radio“, apenas porque foi o que ouvi primeiro.
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Publicado por

Miguel Bettencourt

Marido, pai, informático e entusiasta da fotografia. Corro, não só pelo prazer que a corrida me proporciona, mas sobretudo porque posso correr.

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