De casa à Serreta (uma viagem em corrida)

Neste segundo fim-de-semana de Setembro de 2015 a Terceira celebra a devoção à Senhora dos Milagres. São muitos os peregrinos que rumam, caminhando sozinhos ou em grupo, à freguesia da Serreta, movidos pela fé, com maior ou menor esforço, a partir de diversos locais da ilha. Há também quem o faça apenas pelo passeio em si, mesmo sabendo que a caminhada provocará dores musculares nas pernas. Há quem vá de bicicleta, pelo passeio ou pelo exercício, ou ambos. E depois há aqueles, que não sendo doidos, apenas diferentes, visitam a Senhora, correndo até à igreja da Serreta. Foi o meu caso.

Saí de casa e pus-me a caminho, pela costa norte da ilha, até à Igreja de Nossa Senhora dos Milagres, ao longo de 36 km e uns metros.

A partir de uma determinada distância, uma corrida deixa de ser apenas uma corrida e passa a ser também uma viagem. Para que a corrida se torne numa viagem, a distância para o efeito varia de pessoa para pessoa, desde que reconheça que correr é muito mais do exercício físico. No meu caso, se tivesse que quantificar a distância mínima para uma corrida ser uma viagem, diria que, por norma, será a partir de 21 km, a distância da meia maratona (apesar de já ter feito viagens de 10 e 15 km). A maior distância que corri até hoje foram 42 km, a distância da maratona. Porém, corro com alguma frequência distâncias na ordem dos 30 a 35 km. São viagens, acreditem.

Mas vamos à viagem que fiz até à Serreta.

Iniciei a corrida pela fresquinha, o sol ainda mal tinha acordado. O tempo estava limpo e o bom tempo não escondia a vontade em acompanhar-me ao longo do percurso. Com cerca de 16 km nas pernas recebi o apoio formidável da Vanda e das nossas duas filhas, que me acompanharam de carro, parando aqui e ali a apoiar-me. Aliás, não tendo preparado-me convenientemente para esta viagem (o mês de Agosto foi fraquinho em termos de treinos), os últimos quilómetros, sempre em subida e com os gémeos da perna esquerda a queixarem-se, foram corridos também graças ao apoio elas. Se o motor era o meu corpo, foram elas o combustível.

De resto não há muito a dizer. O sol não incomodou e corri os 36 km em 03h40min, a um ritmo médio de 06:04 min/km. Pelo caminho passei por alguns peregrinos a quem desejei bom dia e boa viagem, deixando-os a pensar que só um louco faz aquilo a correr – digo eu… não leio pensamentos, mas se estiver certo, enganam-se: não é loucura, é lucidez.

Pouco depois de ter chegado ao destino encontrei alguns dos meus parceiros habituais nos treinos de fim-de-semana, quando corremos em grupo nos trilhos da ilha. Tive pena de não acompanhá-los – nem esperava encontrá-los na chegada -, mas os meus planos para a minha viagem já estavam definidos quando o pessoal combinou ir em grupo a partir de Angra do Heroísmo e seguindo pela costa sul. Em todo o caso, deu para bebermos um isotónico de cevada (vulgarmente conhecido por cerveja) depois de estarmos todos minimamente recuperados.

Foi uma boa corrida e uma excelente viagem. Daquelas que eu gosto.

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Publicado por

Miguel Bettencourt

Marido, pai, informático e entusiasta da fotografia. Corro, não só pelo prazer que a corrida me proporciona, mas sobretudo porque posso correr.

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