Quantos somos?

Bem vistas as coisas, no essencial o capitalismo não difere assim tanto do socialismo. Ou seja, ambas doutrinas visam a redistribuição do rendimento, mas em sentidos opostos.
Actualmente a doutrina dominante é o capitalismo, como todos sabemos. O rendimento do trabalho é retirado às classes mais fracas, nos campos político e económico, e distribuído pela classe que detém o poder financeiro. É por isto, pois, que a classe política que anda de mãos dadas com o poder financeiro defende o capitalismo.


Imagem via L’ obéissance est morte

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Publicado por

Miguel Bettencourt

Marido, pai, informático e entusiasta da fotografia. Corro, não só pelo prazer que a corrida me proporciona, mas sobretudo porque posso correr.

4 opiniões sobre “Quantos somos?”

  1. Meu Caro Amigo,

    Eu vejo as coisas de outra forma….o capital preocupa-se com a distribuição do dinheiro,

    No Socialismo a preocupação será com a distribuição dos bens.

    Teoricamente claro.

    Mas seja como for o inimigo não é o dinheiro em si.

    Na teorização da construção do socialismo, na fase da colectivização dos bens de produção, está prevista a existência de senhas, ou notas com indicação do numero de horas trabalhadas. Ou seja dinheiro, mas ao serviço da Economia, da distribuição racional.

    O Dinheiro em si, enquanto moeda de troca, não é vil. O problema surge quando deixa de ser instrumento para ser um Deus, um fim em si…

    Claro que a classe politica está comprometida com o dinheiro…não fora o Estado um instrumento ao serviço da classe dominante.

    Abraço

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  2. Miguel

    Com a tua licença, permito-me transcrever um post que coloquei no meu blogue no passado dia 25. Sobre o resto não me pronuncio aqui. Havemos de falar sobre essa “semelhança” que identificas um dia, ao vivo e a cores.

    Abraço!

    Sobre o vazio conceptual da expressão “classe política”.
    No passado dia 9 escrevi um post sobre o tema [1], pelo que não me vou repetir. Limito-me a reforçar aquilo que tem sido claro para mim desde que penso activamente na política, que é (como escreveu Brecht) “o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, da renda, do sapato e do remédio” [2]: a “classe política” é uma treta porque não existe fora do mediatiquês reinante, é um “conceito” sem definição real, sem conteúdo, que interessa apenas a quem quer uniformizar o que é diferente, decepar a esperança dos pobres na possibilidade – na esperança – de um dia aquilo que “sempre foi e será será” seja derrotado.

    A quem não concordar com isto que escrevo – e está no seu pleno direito, naturalmente – aconselho vivamente a visualização da entrevista que Jerónimo de Sousa concedeu a Fátima Campos Ferreira, disponível no site da RTP [3]. Jerónimo, e tanto outros camaradas seus (e meus), não pertence a qualquer “classe política”. A sua classe, aquela a que pertence desde sempre, e em particular desde que aos 14 anos começou a trabalhar numa fábrica do oriente lisboeta, é a classe operária e trabalhadora. É nesta que pensa e é por ela que luta e intervém todos os dias.

    “Classe política” é rasteira mediática, condicionamento colocado perante as pessoas relativamente à sua observação e participação activa nos assuntos da política. É treta que merece combate, antes, durante e depois dos períodos eleitorais.

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  3. Confundir doutrina de modelos económicos com desvios e aproveitamentos potenciais da prática das fragilidades da doutrina económica é fazer um retrato parcial da filosofia subjacente e desvirtuar a teoria com desvios oportunistas na prática.
    Na realidade nos últimos 20 anos o poder financeiro tornou-se muito forte e domina a política, mas o modelo que imperou nos anos 1950, 60 e 70 também era capitalista e permitiu nos países onde estava implantado (sobretudo nos EUA, Canada, França, Alemanha e RU a melhoria generalizada da qualidade de vida das pessoas e até a diminuição das desigualdades.
    O socialismo, à exceção daquele nórdico que foi sendo construído lentamente na Suécia e se instalou bruscamente na noruega com o aparecimento do petróleo do mar do norte não é o pregado pelo socialistas nacionais que vendem a ideia que se pode distribuir a riqueza em luta com o poder financeiro e económico e sem sacrifício dos mais fracos, aliás isso foi na URSS, China e afins, de facto ficaram mais igualitárias (fora dos homens do aparelho) mas nivelado por baixo, deixou foi de haver gente fora da máquina com níveis de vida da classe média e alta no ocidente, apenas média baixa. Tal como Keynes assumia, o socialismo levava a ditadura, não é por acaso que o homem era conservador quando formulou a sua teoria e colocou um modelo de combater o socialismo, algo que ele nunca defendeu foi combater o endividamento do estado com investimento público, mas sim aproveitar as reservas criadas no crescimento económico para combater os períodos depressivos. O modelo de endividamento em Portugal não é socialista nórdico nem keynesiano para quem vai ao fundo das questões, só para quem paira lendo jornais e comentadores nacionais em vez de ler os livros que abordam mesmo Keynes, Hayek etc. Por isso até José Gomes Ferreira é tido como ultraliberal, apenas porque denuncia todas as frentes, mas a esquerda nacional é a fação que não aceita a verdade nua da realidade e acredita apenas numa utopia de luta de classes.

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