Três ilhas, três dias, três etapas – Diário de bordo

A ideia surgiu de repente. Conversámos e ponderámos a possibilidade e, reunidas as condições, decidimos que a Equipa Prius Synergy Drive Trail Running participaria na primeira edição do Azores Trail Run – Triangle Adventure (ATA), a decorrer nos dias 30 e 31 de Outubro e 1 de Novembro de 2015. O desafio: três etapas, ao longo de três dias, em três ilhas: Pico (30 km), São Jorge (30 km) e Faial (43 km).

Tratando-se de uma equipa amadora e não estando nós preparados para corrermos individualmente 106 km ao longo de três dias seguidos, optámos por cada um correr uma etapa. O desafio, porém, não estava limitado apenas à prova propriamente dita. Ou seja, a preparação desta representava a primeira parte do desafio no seu todo, considerando que tínhamos pela frente apenas cinco semanas disponíveis para implementarmos um plano de treinos dedicado às características da aventura no triângulo Pico – São Jorge – Faial e às exigências das respectivas etapas. Foi um plano de treinos adaptado, portanto, dado que em nenhuma parte do mundo encontraríamos um plano desenhado para implementação e execução num tão curto espaço de tempo.

Assim, o plano de treinos teve três fases de execução. A primeira, intensiva e com a duração de três semanas, consistiu em corridas de 8 km a 10 km, alternadas com séries em rampa (subida) e séries de velocidade. Nesta fase, cada uma das semanas terminou com treinos longos: 20 km, 27 km e 35 km, respectivamente. A segunda fase do plano de treinos teve a duração de uma semana (a quarta semana) e foi dedicada a treinos de recuperação, em que a intensidade diminuiu face às semanas anteriores – esta semana terminou com um treino de apenas 15 km. Por fim, a quinta e última semana foi dedicada ao descanso e o desafio consistia essencialmente em dormir bem, com dois treinos leves pelo meio.

As cinco semanas passaram num ápice. Ainda o diabo não tinha esfregado o outro olho e já nós estávamos na sala onde decorreu o briefing da prova, na Horta.

Quinta-feira, 29 de Outubro – Briefing e pasta party

O ambiente descontraído que caracterizou o briefing e a pasta party não nos era estranho. Muito semelhante ao ambiente vivido na primeira edição do Azores Trail Run, prova em que também estivemos presentes em 2014 e 2015, e contamos repetir em 2016, a grande diferença ficou marcada pela apresentação do ATA propriamente dito, considerando as suas características e especificidades, como foi o caso da explicação da execução do planeamento logístico (viagens inter-ilhas, estadias, horários, etc).

Foi também no briefing que ouvimos o director da prova, Mário Leal, confirmar que a primeira etapa, no Pico, não terminaria no topo da montanha, o ponto mais alto de Portugal, devido à falta de segurança provocada pela queda de neve. Aliás, o início da primeira etapa sofrera já um atraso em sequência das condições meteorológicas que impediam a travessia marítima da Horta até à Madalena. Haveria um novo ponto de situação às 09h da manhã do dia seguinte. Fomos jantar; a ementa: pasta party. Juntou-se a nós no briefing e no jantar o Miguel Azevedo, que estava na Horta em trabalho, e aproveitou para fazer uma peça sobre a prova e a equipa, emitida nos noticiários do Rádio Club de Angra.

O Azores Triangle Adventure tinha começado e a expectativa para a manhã do dia seguinte era grande.

Como estava previsto um atraso na viagem até ao Pico, o que nos proporcionaria acordar um pouco mais tarde (só um pouco) na manhã seguinte, após o jantar fomos os quatro ao emblemático Peter Café Sport. E não, não bebemos o famoso gin. Bebemos, sim, um licor de mel do Pico oferecido pelo amigo Nuno Carvalho que ficou tão surpreendido como feliz por nos ver entrar porta dentro do Peter. Aviado o “picomel” (como lhe chama o Carvalho) entre dois dedos de conversa, recolhe-mo-nos aos nossos aposentos. Fazer um serão de copos não estava no nosso horizonte, nem tão pouco era uma opção.


A pandilha na foto da praxe. Da direita para a esquerda: o telmo, o Valter e este vosso escriba.

Sexta-feira, 30 de Outubro – 1ª etapa: Pico, “Trail da Vinha à Montanha”(30 km)

Ponto de situação às 09h: ainda não havia condições meteorológicas para que a travessia até ao porto da Madalena, no Pico, fosse possível. A manhã passou serenamente, com um passeio matinal na Horta e descanso no hotel, onde aproveitei para avançar mais dois capítulos na leitura do “Arquipélago”, que me foi gentilmente oferecido pelo seu autor, o Joel Neto, uns dias antes. No segundo e último ponto de situação ficámos a saber que o barco partiria às 12:45h. Assim foi. Embarcámos rumo ao Pico.
Às 14h tem início o “Trail da Vinha à Montanha”, junto ao porto da Madalena. Devido à alteração da localização da meta, que desceu do topo da montanha do Pico para a Casa da Montanha (o novo ponto mais elevado da etapa, pelo motivo imposto pela natureza), o ponto alto deste percurso – quer no que respeita à altimetria, quer à emoção de quem correu este trail – não foi alcançado, o que não invalidou o sucesso da etapa, considerando todos os outros locais de interesse por onde os atletas passaram, como foi o caso do Lajido da Criação Velha, coração da Paisagem Cultural da Vinha da Ilha do Pico, classificada em 2004 como Património da Humanidade pela UNESCO. Atletas em prova e o Valter e eu entrámos no jipe do Renato, um guia da montanha que nos transportou através de vários pontos do percurso para acompanharmos a etapa, onde aproveitei para fotografar os atletas com quem nos cruzámos, e levou-nos até à Casa da Montanha.
Imagem ao lado: passagem na Paisagem Cultural da Vinha da Ilha do Pico.(Clicar na imagem para ampliar)
A prova correu bem ao Telmo. Sem sobressaltos ao longo do percurso, ele cruzou a meta já de noite (aliás como grande parte dos atletas), devido ao atraso no início da etapa, mas bem disposto, quer ao nível físico, quer emocional – atingir o objectivo com um sorriso na cara é muito comum na corrida em geral e no trail run em particular. O termómetro indicava cinco graus negativos no exterior da Casa da Montanha, a cerca de 1200m de altitude. Lá dentro, o abastecimento final, o calor humano e a merecida massagem serviam de aquecedor, tudo num ambiente alegre, apesar de um nervoso miudinho à mistura – havia ainda atletas em prova e além da escuridão da noite e do frio, também o nevoeiro marcava presença naquela última parte da etapa. Só quando todos chegaram à meta é que a organização e atletas respiraram de alívio. Foi bonito. Seguiu-se o jantar nas Lajes e o descanso na Madalena, com vista à etapa seguinte, em São Jorge.

O Telmo numa das partes do percurso em que a gestão de esforço recomendava a progressão no terreno em caminhada.

Sábado, 31 de Outubro – 2ª etapa: São Jorge, “Trail das Fajãs”(30 km)

Não eram ainda 08h e já o barco nos levava da Madalena do Pico para as Velas, em São Jorge. Havia pessoal que ainda não tinha aberto bem as pestanas, e eu era um… Não há café que desperte de repente um grupo de pessoas com apenas cerca de cinco horas de sono. Mas devagar a malta foi abrindo os olhos para a beleza natural de que nos aproximávamos: São Jorge, a ilha do dragão como nós por cá, nos Açores, nos referimos a ela, devido ao seu perfil geográfico.

Malas despachadas para o hotel e atletas e acompanhantes despachados para o complexo vulcânico mais antigo da ilha, no lugar de São Tomé, freguesia de Santo Antão. Após o segundo pequeno-almoço da manhã, oferecido com a cortesia da organização do ATA, teve início a segunda etapa. Não voltamos a pôr a vista no Valter senão na meta, na Fajã dos Cubres.

Esta etapa não foi fácil. Nenhuma foi, aliás. Mas o “Trail das Fajãs” foi particularmente duro devido aos elevados desníveis positivo e negativo. A parte boa é que se trata de uma etapa que teve tanto de subidas e descidas duras como de beleza na mesma medida (ou mais).

Imagem ao lado: passagem na Fajã de São João.
(Clicar na imagem para ampliar)
Na primeira parte do trail os atletas percorreram algumas das fajãs da costa sul, entre as quais a Fajã dos Vimes. De lá seguiu para o alto da colina, atravessando a ilha em direcção à costa norte para descer até às fajãs daquela vertente da ilha, como foi o caso da famosa Fajã da Caldeira de Santo Cristo. A segunda etapa terminou na Fajã dos Cubres. Tão cedo o Valter não esquecerá este trail. Terminou-o visivelmente cansado. Mas feliz por terminá-lo, vencendo-o – não venceu a etapa, não, venceu sim o desafio que este percurso representou. Com subidas e descidas muito acentuadas, esgotou a água entre os abastecimentos. Não fosse a generosidade de um casal de turistas alemães, cedendo-lhe parte da água que tinham, alcançar o abastecimento seguinte poderia ter-se revelado muito difícil – ou melhor, mais difícil do que seria suposto. Confessou-nos ele, a mim e ao Telmo, que por momentos sentiu que corria o risco de desistir e que só não o fez porque pensou em nós, enquanto parceiros de equipa e amigos. Eu não tenho dúvida alguma que o Valter iria até ao fim, com ou sem equipa. Fá-lo-ia por si próprio. O objectivo era a meta. Ponto.
Etapa terminada, seguiu-se o jantar na Calheta e o descanso nas Velas. As deslocações para o restaurante, e deste para o hotel, à semelhança do que aconteceu durante o dia entre os diversos locais da ilha por onde passámos e parámos, foram a bordo de uma carrinha conduzida pela Livramento, uma mulher natural de São Jorge, onde reside, e que ocupa os seus dias como guia turístico, promotora social e cultural e condutora de ambulância (palavras da própria), entre outras actividades. A certo momento, quando íamos em direcção ao hotel, lembrei-me que a Livramento daria uma boa personagem para um romance, por culpa da sua boa disposição e da autenticidade que caracteriza a sua personalidade. Lembrei-me também nesse momento que tinham passado já mais de vinte e quatro horas desde a última vez que li algumas páginas do “Arquipélago”.

É esta a expressão de felicidade após no fim da segunda etapa, na Fajã dos Cubres.

Domingo, 1 de Novembro – 3ª etapa: Faial, “Trail dos Vulcões”(43 km)

A manhã do dia 1 de Novembro também começou cedo. Pouco passava das 06:30h, já o barco nos transportava das Velas para a Horta. Estava uma manhã lindíssima, com o sol a despertar por detrás de São Jorge, iluminando com uma luz matinal fantástica a vertente nascente do Pico. A viagem durou cerca de duas horas e meia e durante boa parte desse tempo fiz-me acompanhar do álbum “All Your Life You Walk“, de Carlos Cipa, em modo repeat.

Chegados à Horta, o autocarro levou-nos para o território mais jovem de Portugal, onde nos esperava, à semelhança do dia anterior, o segundo pequeno-almoço do dia – o facto de este ter decorrido no interior das instalações do Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos tornou-o ainda mais apetitoso. Já com os estômagos aconchegados, os atletas dirigiram-se para a partida. O ambiente era de festa: uns dançavam ao ritmo da música que animava os minutos que antecederam o início da etapa, enquanto outros conversavam descontraidamente. Contudo, e ao cabo de três dias seguidos, todos lidavam, ali e naquele momento, com a expectativa para mais uma corrida em trail. Estávamos preparados para os 43 km e cerca de 2000m de desnível acumulado positivo que tínhamos pela frente nas próximas horas. Siga.
Por motivos óbvios, esta é a etapa que melhor poderei descrever nesta espécie de diário de bordo dos quatro dias do Azores Trail Run – Triangle Adventure, não só porque foi a única das três etapas que corri, mas também porque já conhecia grande parte da primeira metade do percurso, entre o Vulcão dos Capelinhos e a Caldeira do Faial, apesar de nas duas primeiras edições do Azores Trail Run (aqui e aqui) o ter corrido no sentido inverso, o que significa que aquilo que corri a descer em Maio do ano passado e no mesmo mês deste ano, desta vez fi-lo a subir – não é mais duro nem mais difícil, é diferente. Ainda relativamente à primeira parte, até à Caldeira, desconhecia apenas cerca de um terço do troço da Levada e a derradeira subida ao cimo da Caldeira, traçada para esta prova.

O meu Garmin Forerunner registou às 09:38h o início da etapa, no momento em que soou a buzina que deu o sinal de partida. Dirigi-mo-nos para a subida de areia vulcânica junto ao farol dos Capelinhos e de lá para o Cabeço do Fogo, o primeiro dos três cumes arredondados que teríamos de enfrentar. Logo após a descida do Cabeço do Fogo, com 10 km nas pernas e uma hora e trinta e nove minutos de prova, surge o primeiro ponto de controlo e de abastecimento. Níveis energéticos reabastecidos, é tempo de seguir em frente, à conquista do Cabeço Gordo e do Cabeço Verde. Foi engraçado percorrê-los no sentido oposto ao que tinha feito anteriormente.
Imagem ao lado: algures num trilho do Faial.
(Clicar na imagem para ampliar)
Despachados os três cabeços, eis que surge aquela que para mim foi a fase mais desgastante da etapa: 8 km no Trilho da Levada, com lama e água de um lado e outro, atravessando pontes e um túnel. Se é verdade que o trilho da Levada é plano, o facto é que as condições do piso não permitiram grandes aventuras. As escorregadelas ao longo deste trilho, com um espalhanço ao comprido sempre à espreita num tipo de terreno em que uma queda deve ser evitada a qualquer custo, podem tirar qualquer pessoa do sério. Aviei a Levada sem me estender, o que por si só foi uma pequena vitória. Próximo desafio: a subida para o cimo da caldeira vulcânica – e que subida, raios a partam. Sabem aquelas que parece que não têm fim? Essas mesmo. Chegado lá cima, percorremos três quartos do perímetro da Caldeira, por entre tufos, buracos, nevoeiro e vento. Numas zonas era possível correr, noutras tive de descer quase sentado desníveis com pouco mais de um metro de altura. Deixei a Caldeira e parei no ponto de abastecimento e de controlo seguinte, poucos metros adiante. Nesta fase levava 24 km e quatro horas de prova. Comi uma canja, dois quartos de laranja, uma banana e dois ou três pedaços de marmelada, reabasteci-me de água e, agarrando uma mão de amendoins salgados (o abastecimento das reservas de sal, tal como de açúcar, é recomendado em provas longas), pus-me a caminho, comendo os amendoins enquanto corria moderadamente no início da descida, gerindo o esforço, apesar de a pior fase da etapa estar já ultrapassada. Mas ainda faltavam cerca de 19 km para chegar à Horta.
A segunda parte foi praticamente a rolar e não houve obstáculos de carácter físico merecedores de grande cuidado, quer no que concerne ao percurso, quer no que me diz respeito pessoalmente. O único desafio foi mesmo não cair na tentação de aumentar o ritmo acima do que era aconselhável. Até porque antes de entrar nas ruas da Horta, rumo à meta, teria de subir mais um pouco – nada de especial, mas quando a última subida chegasse eu teria praticamente 35 km nas pernas e, portanto, havia a necessidade de continuar a gerir o esforço até lá. A entrada na Horta foi através de caminhos antigos e empedrados que eu desconhecia totalmente, inclusive a sua existência.

Imagem ao lado: a meta, após 43 km e 6h de prova.
(Clicar na imagem para ampliar)

Terminei o “Trail dos Vulcões” com seis horas certas de prova. Nem um minuto a mais, nem um a menos. Estava cansado, mas sentia-me bem e feliz. Tinha fome, fui à comida. Tinha os gémeos de ambas as pernas aos saltos, fui à massagem. Antes disso dei um choque ao speaker logo após cruzar a meta. Olhei para o prémio de finisher e tive a certeza que, se tiver oportunidade, numa próxima edição conseguirei correr as três etapas, desde que me prepare convenientemente e em tempo mínimo recomendado para o desafio.
Desta aventura trouxe para casa boas recordações e bons momentos. Trouxe as caras com quem me cruzei e os caminhos que percorri ao longo das três ilhas. Trouxe as viagens de barco, as experiências trocadas com os meus parceiros de equipa e, sobretudo, amigos.

Trouxe a realização que se obtém através de uma corrida longa de trail running seja em competição ou não. Aliás, a competição é o que menos importa. Deixei os 43 km para trás, o que significa que venci-os. Foi a maior distância que corri até hoje e isso por si só foi a minha vitória pessoal. O próximo desafio será preparar-me para os 48 km na terceira edição do Azores Trail Run, em Maio de 2016. Não os ter aviado na edição de 2015 do ATR, em sequência da lesão contraída durante os treinos, ainda me está atravessado na garganta.

De resto, espero que o Azores Trail Run – Triangle Adventure tenha continuidade durante muitos e bons anos. A prova tem pernas para andar (e correr). O ATA tem características únicas a nível internacional, reconhecidas por atletas que participaram na prova e que correm dentro e fora de Portugal. Ao nível da organização, não podíamos pedir mais. Se é verdade que se trata da primeira edição e da qual poderão ser ajustados alguns melhoramentos com vista à realização de edições futuras, como é, aliás, normal nestas coisas, o facto é que não é fácil organizar um evento como este em três ilhas e em três dias seguidos, exigindo muita dedicação e trabalho na mesma medida, considerando toda a logística necessária para o efeito: viagens aéreas e marítimas, deslocações em autocarro, estadias, refeições, abastecimentos, segurança, etc. Quem vive, ou viveu, nos Açores ou conhece a realidade insular, sabe do que falo. Estão de parabéns, portanto, os responsáveis directos pela realização da prova, todos os voluntários (dezenas deles, espalhados pelas ilhas Faial, São Jorge e Pico) e as entidades que apoiaram a organização, aos mais diversos níveis (segurança, logística, etc), proporcionando esta aventura no triângulo e o respectivo sucesso. A todos sem excepção tiro o meu chapéu.

Por último, mas não menos importante (pelo contrário), o nosso agradecimento à Toyota e ao respectivo concessionário Terauto, nas ilhas Terceira, Faial e Pico, pelo apoio prestado à Equipa Prius Synergy Drive Trail Running nas provas em que temos participado.

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Publicado por

Miguel Bettencourt

Marido, pai, informático e entusiasta da fotografia. Corro, não só pelo prazer que a corrida me proporciona, mas sobretudo porque posso correr.

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