A novidade (fora do saco)

Ao cabo de poucas semanas fiz mais uma tentativa: corri o fecho do saco onde está guardado há muito, quase esquecido, o violão e tirei-o. Só não lhe soprei o pó porque não havia, estando ele protegida dentro do saco. Afinei-o, recorrendo às modernices digitais (nunca tive grande ouvido), e dedilhei as seis cordas: Mi, Lá, Ré, Sol, Si, Mi. Tinha saudades daquela vibração.

Comecei com “Amanhã é sempre longe demais”, dos Rádio Macau. Não correu mal, considerando que ainda me lembro onde posicionar os dedos na maior parte dos acordes. Prossegui com “Circo de feras”, dos Xutos, e “Porto Sentido”, do Rui Veloso. Entretanto, estando a Francisca a dar luta para comer a sopa, toquei e cantei “O balão do João” para ela. Luta ganha pela força da música.

Senti-me confiante e avancei para “Efectivamente” dos GNR. Aqui a coisa piou mais fino no refrão… Os dedos não corresponderam à necessidade de mudança de acordes, de tão ferrugentos que estão. Mas com alguma insistência lá consegui. Porém, optei por tentar algo mais acessível para quem não tocava há nem-sei-quanto-tempo. O repertório continuou com “Os Vampiros” e “Trás outro amigo também”, de José Afonso. Correu bem.

Nisto, ocorre-me que estava a tocar e a cantar (cantar mal, como é hábito) apenas músicas portuguesas. Vai daí e lembrei-me da música que tem-me acompanhado silenciosamente há coisa de dois ou três dias: “A Novidade”, de Gilberto Gil – mantinha-me fiel à língua portuguesa, mas, do mal o menos, tentaria barrar com “mel” a minha fraca entoação vocal. Desisti em menos de um minuto. E o problema nem foi cantar. Foi mesmo tocar esta música.

Hoje vou insistir. Está mais do que na hora de dar(-me) novamente música por via da guitarra acústica. Nunca tendo sido um guitarrista virtuoso, e ainda menos cantor, o prazer que obtenho nos momentos em que tento tocar e cantar alguma coisa que preste justifica por si só os minutos em que o violão não está guardado dentro do saco. E se ajudar a Francisca a comer a sopa, tanto melhor.

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Publicado por

Miguel Bettencourt

Marido, pai, informático e entusiasta da fotografia. Corro, não só pelo prazer que a corrida me proporciona, mas sobretudo porque posso correr.

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