O vento não manda em mim

Gostaria de um dia escrever um conto para crianças. Esta ideia surgiu há escassos dois dias, depois de a Francisca afirmar convictamente que o vento não manda nela. Tem toda a razão a minha filha mais nova, com três anos de idade, a caminho dos quatro. O vento não manda nela, de facto.

Voltando ao conto, decidi que, pelo menos, hei-de tentar. Não sei como o fazer, nem tão pouco por onde começar. Imagino que antes de tudo terei de organizar as ideias: a história, o tempo e as personagens. Não tenho dúvidas de que os resultados obtidos de uma breve pesquisa na Internet levar-me-ão a um não-sei-quanto-número de páginas web onde encontrarei dicas e conselhos acerca de como poderei e deverei escrever um conto. Com alguma mestria binária a própria Internet escreveria-o no meu lugar, bastando para isso eu indicar os ingredientes, e quando clicasse em Fim transformaria o ficheiro de texto num PDF – esta última possibilidade está perfeitamente ao meu alcance; já a primeira, mesmo que fosse possível (será?…) eu não a quereria para mim.

Escrever, considerando que o que escrevo resume-se a um ou outro texto no blogue, livre de qualquer pretensão literária, dá-me em certa medida gozo. Consigo tirar daí algum divertimento. Já escrever um conto representa trabalho, concentração e, acima de tudo, criatividade e imaginação. Não sei se algum dia conseguirei fazê-lo. Porém, estou francamente inclinado a tentar. Recorrendo ao chavão sobejamente conhecido, a pergunta que coloco agora em relação a este objectivo não é porquê?, mas sim porque não?.

Vou tentar. Isso por si só já é alguma coisa. Até porque a ver pela minha experiência de vida recente, tentar por tentar, sem compromissos, pode abrir caminho para algo que nunca julgámos ser possível alcançarmos. Quando corri pela primeira vez a distância de 5 km nunca imaginei que correria a distância da maratona, e mais além. Se há lição que aprendi nos últimos anos é de que afastar para um canto um objectivo sem pelo menos tentar perceber se há possibilidades de alcançá-lo, é perder a primeira oportunidade de vir a realizá-lo.

Como me ensinou a Francisca, o vento não manda em mim.

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Publicado por

Miguel Bettencourt

Marido, pai, informático e entusiasta da fotografia. Corro, não só pelo prazer que a corrida me proporciona, mas sobretudo porque posso correr.

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