Mercado dos Lavradores – Abril de 2017 [1]

Funchal, Madeira

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MIUT – Ultra 85 km numa só palavra

The will to win means nothing without the will to prepare. – Juma Ikangaa

Tenho o hábito de escrever sobre as corridas de trail running em que tenho vindo a participar nos últimos quatro anos, manifestando e partilhando convosco as experiências que vivi em cada um dos desafios que tenho enfrentado neste domínio da corrida. Salvo uma ou duas excepções, escrevi sobre todas as provas em que participei.

A Ultra 85 km do MIUT – Madeira Island Ultra Trail foi o último e o mais difícil dos desafios até hoje, quer pela distância, quer pelas características do percurso, das quais os 4700 metros de desnível acumulado positivo marcam inequivocamente uma das dificuldades (a mais significativa, diria) que caracterizam esta ultra maratona em trail.

Porém, desta vez – logo desta, tratando-se do desafio que mais me marcou até hoje – opto por resumir a minha participação na Ultra 85 km do MIUT numa só palavra: Acreditei.

Acreditei no momento em que decidi enfrentar o desafio e acreditei no momento em que submeti a minha inscrição. Acreditei desde o primeiro dos treinos do planeamento que segui ao longo de seis meses. Acreditei quando estava na partida a ouvir a contagem decrescente para o início da prova, às 07h da manhã do dia 22 de Abril de 2017. Acreditei nos momentos bons, quando me senti solto e livre, e acreditei quando parei nos postos de controlo e de abastecimento, onde descansei, comi e, num deles, no do Pico do Areeiro, troquei de t-shirt e estiquei o corpo deitando-me num colchão durante cerca de cinco minutos. Acreditei nos momentos difíceis, tendo o pior deles ocorrido aos sessenta quilómetros e condicionado o resto da corrida devido a uma dor no joelho direito que não me largou até ao fim, e acreditei quando aos oitenta quilómetros tropecei e caí, magoando o joelho esquerdo. Acreditei quando avistei a meta, a poucos minutos de distância de onde eu estava, já a bater a uma da manhã do dia seguinte ao que a corrida teve início. E acreditei quando cruzei o pórtico de chegada, oitenta e cinco quilómetros e dezoito horas e catorze minutos depois do início da corrida.

Ou seja, acreditei, acreditei, acreditei. Acreditei sempre, desde o primeiro ao derradeiro minuto, que venceria a Ultra 85 kms do Madeira Island Ultra Trail. E venci-a com a Leonor ao meu lado e a Vanda e a Francisca (que já dormia no carrinho) a acompanharem-nos do lado de lá do corredor para a meta.

Se há alguma lembrança que trago do MIUT – e há, muitas – em relação ao futuro é a capacidade reforçada para acreditar, seja na corrida ou em qualquer outro aspecto da minha vida. Fui posto à prova como nunca antes tinha sido, por minha própria iniciativa e por acreditar que atingiria o meu objectivo. Isto, meus amigos, pode não ser o suficiente para mover montanhas, mas é-o certamente para transpô-las.

Estou grato a muitas pessoas que me acompanharam ao longo da preparação nos últimos seis meses. Estou particularmente grato, antes de qualquer outra pessoa, à Vanda. Estou grato aos meus parceiros de equipa e amigos: o Zé, o Telmo e o Valter, tendo este participado também nesta ultra e com quem treinei intensamente para este nosso objectivo comum. Estou grato ao João Mota, que me prescreveu os treinos, orientou-me e deu-me a força e a motivação que só um treinador sabe dar. Estou grato aos meus amigos, amigas e familiares que me apoiaram, apesar de, possivelmente, alguns não terem noção da dimensão do que ao eu ia, nem do que ao que fui. Todas estas pessoas acreditaram em mim e por isso lhes estou grato.

O MIUT ficou-me colado na pele e não hei-de ir desta para melhor sem regressar lá.

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Fotografias: Cano FotoSports

Entre o Pico do Areeiro e o Pico Ruivo

Na véspera do MIUT – Madeira Islando Ultra Trail, de que darei conta num destes dias, fui com um dos meus parceiros de corrida e amigo, o Valter, fazer o reconhecimento de um dos troços mais desafiadores desta prova de trail running: o trilho que liga o Pico Ruivo ao Pico do Areeiro. Trata-se de um local que impõe respeito. Até para fotografar senti que o devia fazer com algum cuidado.

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Duas Perdiz-vermelha a fechar este alinhamento de fotografias.

Oito soltas de 2010 (Madeira)

Fotografias tiradas em 2010 e que estavam esquecidas no fundo da gaveta.
Para fotos já publicadas sob a categoria “Madeira” é só clicar no respectivo link, acima.

Algures entre o Funchal e Câmara de Lobos, durante o percurso de um dos trilhos das levadas.

Funchal

Esplanada

Aquacultura

Zona antiga da cidade (a Leonor no enquadramento).

Auditório do Jardim Municipal do Funchal.

Portão junto ao auditório.

Cais do Carvão

Situado entre as piscinas do Lido e Clube Naval do Funchal, encontra-se o Cais do Carvão, construído em 1903. O nome por que é conhecido este cais deve-se ao antigo depósito de carvão que ali existiu (ex-Pier Wilson), onde eram abastecidos os navios a vapor que passavam pelo Funchal, rumo à América e a África.
Hoje em dia o Cais do Carvão é frequentado essencialmente por pescadores. Pelo que me foi dito por um homem com quem falei no local, antes de tirar estas fotos, aparecem por lá ocasionalmente alguns turistas, mas não muitos, tendo em consideração a realidade dos números da massa turística na Madeira. Alguns chegam ao Cais do Carvão movidos pela curiosidade (foi o meu caso) e outros, com o trabalho de casa feito, vão à procura de uma parte quase esquecida da história.