Sugestão musical: Morphine – Like Swimming

Uma espécie de prato do dia que se come pelos ouvidos.

1. Lilah 2. Potion  3. I Know You (Part III) 4. Early To Bed 5. Wishing Well 6. Like Swimming 7. Murder For The Money 8. French Fries With Pepper 9. Empty Box 10. Eleven o’ Clock 11. Hanging On A Curtain 12. Swing It Low

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O terceiro dia do Alive ’17 [a propósito do Benjamin]

No terceiro e último dia do NOS Alive 2017 (o único dia em que fui ao festival) houve três concertos que eu tinha intenção de assistir: Benjamin Booker, Fleet Foxes e Depeche Mode, sendo este último o principal motivo para ir ao Alive ’17. Pelo meio destes três houve muitos outros concertos, uns de grupos e músicos que eu já conhecia e outros que não me importava de conhecer. Ou seja, o que eu conseguisse apanhar, além dos três referidos, seria bem-vindo.

O problema dos festivais como o NOS Alive é o facto de estar a decorrer mais do que um concerto em simultâneo, o que muitas vezes torna difícil, ou impossível, a possibilidade de assistirmos a tudo o que gostamos, ou pretendemos assistir. Foi o que aconteceu comigo em relação ao concerto dos Fleet Foxes – não consegui apanhá-lo. Tive pena, mas não veio daí mal ao mundo.

Um dos outros dois concertos que queria ver foi o do Benjamin Booker e este vi-o do início ao fim. Gostei muito. O gajo tem garra (todos os que estiveram em palco com ele a têm) e é um rock que me agrada – eu nem estava para escrever nada sobre o que vivi no terceiro dia do festival, mas estar aqui a ouvir Benjamin Booker com os auscultadores nos ouvidos levou-me a partilhar a música Violent Shiver.

Ei-la, é só clicar no play.

Em relação ao concerto que verdadeiramente me levou ao Alive, e que me teria levado ainda que fosse o único grupo a passar lá naquele dia, Depeche Mode, digo apenas que ainda o tenho colado à pele. Ponto. Antes deles assisti a uma boa parte do concerto dos Imagine Dragons, mas continua a ser um grupo cuja música não me mexe com os humores.

As boas surpresas dentro dos tais concertos que conseguisse apanhar foram Plastic People e Marvel Lima. Já tinha ouvido qualquer coisa de ambos, mas vim de lá convencido de que prestarei mais atenção a eles a partir dos momentos em que os vi nos palcos em que actuaram. Outra actuação de que gostei foi a do Filho da Mãe, no coreto do recinto onde decorreu o festival.

E pronto, é isto.

Uma fotografia e uma música

Fotografia feita na Igreja de Nossa Senhora da Guia do Convento de São Francisco, em Angra do Heroísmo.

Música de Leonard Cohen, “It Seemed the Better Way” do álbum You Want It Darker (2016).

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Blood Sugar Sex Magik

No verão de 1992, quase um ano após o seu lançamento (Set ’91), devorei o “Blood Sugar Sex Magik” como se fosse o último disco anunciado dos Red Hot Chili Peppers.

Em rigor da verdade confesso que não prestei grande atenção aos álbuns que se seguiram até hoje. Ouvi-os todos na íntegra, retive algumas músicas, mas nenhum outro disco dos Red Hot Chili Peppers agarrou-me como este o fez.

The Power Of Equality
If You Have To Ask
Breaking The Girl
Funky Monks
Suck My Kiss
I Could Have Lied
Mellowship Slinky In B Major
The Righteous & The Wicked
Give It Away
Blood Sugar Sex Magik
Under The Bridge
Naked In The Rain
Apache Rose Peacock
The Greeting Song
My Lovely Man
Sir Psycho Sexy
They´re Red Hot

O “Troubadour”de Lula Pena

O “Troubadour”(2010) de Lula Pena é um disco que me enche as medidas. A base do fado ao que se juntam sonoridades mundanas elevam este disco a um nível hipnótico ao longo dos sete actos que o compõem.

Não sou apreciador de fado, o que lamento, não fosse este um género musical tão português e apreciado praticamente em todo o mundo. Porém, eu que vivo no país do fado, não consigo apreciá-lo como gostaria. Mas este não é um disco de fado.

A quem não o conhece e tenha ficado com a curiosidade aguçada, recomendo que comece por ouvir o “Acto I”, o primeiro dos sete, precisamente. Depois é só continuar a apreciar o “Troubadour” à medida que este se desenrola pelos ouvidos dentro.

O disco pode ser ouvido nesta playlist no Youtube, ou no BandCamp.

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Tirei do saco a cheirar a mofo muitas das cassetes que lá guardei quando deixaram de passar na aparelhagem e no auto-rádio. Aquele saco guarda uma parte de mim e do meu percurso musical na mera qualidade de apreciador de música. Guarda uma parte do meu crescimento pessoal, não só ao nível musical, mas também em muito do que me tornei enquanto indivíduo em resultado, precisamente, da influência que a música tem em mim desde cedo. A imagem abaixo é uma pequena amostra do que aquele saco sabe sobre mim, da música rock ao punk, do pop ao jazz, da clássica ao blues.

Na selecção de cassetes para compor esta imagem* estão apenas algumas das que mais prazer me proporcionaram ao ouvir. Contudo, o que me deixa francamente satisfeito é o facto de ainda hoje continuar a ouvir em CD (e na net, claro) praticamente toda a música que ouvia em cassetes, ao que junto constantemente tudo o que é novo e desperta em mim alguma atenção, no início, e, se for caso disso, continuar a acompanhar e a apreciar. Naturalmente também deixei de ouvir algumas bandas pelas qual perdi o interesse e que hoje dizem-me muito pouco.

* Police, The Doors, The Clash, Smashing Pumpkins, The Stone Roses, Radiohead, Nick Cave and The Bad Seeds, My Bloody Valentine e Morphine com “Yes” num lado e “Cure for Pain” no outro. Entre muitas outras, incluindo de grupos portugueses, faltam ali umas quantas cassetes de Joy Divison, The Smiths, Chameleons, The Wonder Stuff, Pixies, Pink Floyd, Dire Straits, The The e tantas outras, que por não ter encontrado-as não entraram no quadro. Mas os Cds estão aqui ao meu lado. 🙂

O carpinteiro maratonista

Na tarde de 14 de Julho de 1912, domingo, na colina de Öfver-Järva, em Estocolmo, Francisco Lázaro caiu inanimado. O médico que se encontrava no local aplicou-lhe gelo sobre a cabeça e enviou-o para o posto médico de Silfverdal. A partir daí, dada a gravidade do seu estado, foi enviado para o Royal Seraphin Hospital, onde chegou às 17 horas e 30. À chegada, apresentava uma temperatura de 41,2º e sofreu um intenso ataque de convulsões e cãibras. Foi-lhe diagnosticada meningite. À meia-noite deram-lhe injecções de água salgada e, mexendo as mãos, reagiu ao ouvir o seu nome. Mais tarde, entrou em delírio, fazendo movimentos como se ainda estivesse a correr. Às 6 horas e 20 da madrugada, morreu.” – José Luís Peixoto

Cemitério de Pianos é um dos livros que mais me marcaram. Fala de Francisco Lázaro, um carpinteiro maratonista que ainda hoje é desconhecido de muitos portugueses. Além disso, a leitura deste livro nem sempre é fácil, o que por si só torna-a, em certa medida, num exercício interessante.

Ainda sobre este assunto, o escritor, José Luís Peixoto (a quem tive a oportunidade de fotografar), escreveu também o texto “A Meta da Maratona Infinita”, de onde copiei para aqui o excerto que serve de introdução a este post, e que de resto recomendado uma leitura atenta.

Mas a história trágica de Francisco Lázaro não se encontra apenas na literatura. O compositor e músico Noiserv dedicou-lhe a canção”It’s easy to be a marathoner even if you are a carpenter”. É ouvir.