Entre o Pico do Areeiro e o Pico Ruivo

Na véspera do MIUT – Madeira Islando Ultra Trail, de que darei conta num destes dias, fui com um dos meus parceiros de corrida e amigo, o Valter, fazer o reconhecimento de um dos troços mais desafiadores desta prova de trail running: o trilho que liga o Pico Ruivo ao Pico do Areeiro. Trata-se de um local que impõe respeito. Até para fotografar senti que o devia fazer com algum cuidado.

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Duas Perdiz-vermelha a fechar este alinhamento de fotografias.

STUT 2017 – Não correu bem, nem correu mal.

Mentiria se dissesse que me correu bem a participação no STUT – Santo Thryrso Ultra Trilhos, no passado dia 12 de fevereiro. Não correu bem, ponto. Cheguei ao fim dos 53 km, alcançando o pórtico de chegada a faltar dois minutos para as nove horas em prova, e consegui concretizar o objectivo da minha ida ao STUT: fazer desta prova um treino para o MIUT – Madeira Island Ultra Trail. Ou seja, se o STUT não me correu bem, o facto é que os principais objectivos foram alcançados, o que faz com que também não me tenha corrido mal de todo. Porém, para correr bem faltou completar a distância em menos tempo, apenas isso. Não fui com o objectivo de fazer a coisa em tempo recorde (meu recorde, entenda-se), mas esperava conseguir terminar mais perto das oito horas de prova do que das nove.

Foram dois os motivos que me obrigaram a fazer algumas paragens, além das que são habituais nos postos de controlo e de abastecimento. Ambos bastante incómodos, devo dizer.

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Se bem me lembro, neste momento ia ainda com cerca de 8 km metidos nas pernas.

O primeiro motivo, divido por três momentos de introspecção no meio da natureza: um desarranjo intestinal. Forçou-me a três paragens, escondido nos arbustos, a aliviar-me. Foram três paragens breves, mas somadas terá dado qualquer coisa à volta de quinze minutos agachado a ouvir o canto dos pássaros e da chuva, e as vozes de alguns dos atletas que passavam não muito longe de mim – a escassos metros, na verdade, sem darem pela minha triste sina.

O segundo motivo, o mais penoso, teve origem no quilómetro trinta por percurso. Encontrava-me no posto de controlo e de abastecimento de Pilar, à cota de 550 metros, com um frio a que um açoriano não está habituado. A chuva caía e a canja de galinha prometia ser um regalo, quer para o corpo quer para a mente. Comer uma canja durante uma ultra é um luxo que nos conforta o estômago, brindado-nos com uma dose sempre bem-vinda de proteína e de hidratos. Agarrei na tigela cheia até à borda, esta escorregou-me da mão esquerda atingindo em cheio dois dedos desta mão: o anelar e o do meio. A canja não estava quente… estava a ferver! Resultado: dois dedos parcialmente escaldados. Nem dois minutos passados já eu tinha bolhas de queimadura em cada um deles.

A partir daquele momento fatídico a prova mudou para mim. Com dois dedos escaldados, tinha ainda pela frente vinte e três quilómetros e calculei que seria uma penitência percorrê-los. E foi uma penitência, acreditem. Ainda no posto de controlo e de abastecimento, onde roguei pragas à galinha que triste fim teve para delícia dos atletas – pragas que de nada me valeram pois a desgraçada estava mais cozida do que eu -, pensei em desistir. Mas a vontade em chegar ao fim foi mais forte. Cerrei os dentes e pensei nos riachos e nas ribeiras cujas águas geladas esperavam os meus dedos nelas mergulhados. Foi o que me valeu, aquelas águas. Assim, o resto da prova ficou marcado por pausas frequentes, cujos intervalos de tempo entre elas variaram entre cinco e dez minutos em corrida, ou caminhada quando foi caso disso. Ou seja, contabilizadas por alto todas as pausas que fiz para aliviar a dor nos dedos, acredito que perdi com elas qualquer coisa como trinta minutos. Ora, estes trinta somados aos quinze dispensados para as descargas intestinais impediram-me de terminar o STUT mais próximo das oito horas de prova do que das nove. Azar. Sim, azar é o que foi.

Mas lá cheguei ao fim, recebi a tão merecida medalha de finisher e um Jesuíta, doce típico da terra, saboroso digo-vos. E cumpri o objectivo: treinar para os 85 km que a Madeira tem à minha espera, no próximo dia 22 de Abril.

De resto, o STUT em si não me cativou. É uma prova dura com trilhos técnicos interessantes, subidas que nos fazem suspirar e descidas que nos recomendam ir com cuidado. O mau estado do tempo apimentou-a, em certa medida, e noutra nem por isso. Mas é uma prova que não tem nada que me faça lá voltar. O percurso é maioritariamente em matas muito próximas de aglomerados habitacionais, aos quais não só fazemos razias como os atravessamos demasiadas vezes. Não é um percurso que nos faça sentir que estamos tão só no meio da natureza e nada mais. Há sempre, ao longo de todo o caminho, sinais sonoros e visuais de que a civilização está ao virar da esquina. Em termos paisagísticos também não brilha. Se me perguntarem se recomendo esta prova, direi Sim, mas só ao nível da organização.

O que me deixou francamente indignado foi o lixo que encontrei ao longo do percurso, na sua maioria embalagens de gel energético largado descaradamente por atletas que iam à minha frente, apesar de ter visto umas quantas com sinais de que já lá estavam há mais tempo. Há pessoas que não deviam ir para os trilhos, mas vão, lamentavelmente – quer lá quer cá, desculpem-me a franqueza. São eles que estão a estragar algo que significa antes de tudo o resto a comunhão entre a natureza e quem a aprecia através de uma actividade de lazer e/ou desportiva, seja ela qual for. Valeu-me saber que a organização do STUT não se revê nesta triste postura e os seus membros empenharam-se em limpar os trilhos dias depois da prova.

E é isto basicamente. Mais haveria a relatar, mas há coisas que ficam para nós próprios, gravadas na memória.

Venha o MIUT!

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Madeira que vale tanto como ouro.

Cantos e Contos à Lareira

Centro de Interpretação da Serra de Santa Bárbara, ilha Terceira – 17 Dezembro 2016.

O Parque Natural da ilha Terceira realizou uma tarde cultural no Centro de Interpretação da Serra de Santa Bárbara no dia 17 Dezembro, numa sessão dirigida especialmente às famílias, onde a gestão sustentável dos recursos naturais, a biodiversidade, a água e a cidadania foram alguns dos temas abordados.

Com o Helder Xarvier no papel de contador de histórias, tendo desempenhado a tarefa muitíssimo bem, apesar de o próprio não rever-se neste papel, e a Susana Coelho nas canções, proporcionando momentos deliciosos que só a sua voz o consegue fazer, aquela tarde de sábado foi muito agradável.

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Na rua o frio e o nevoeiro não deixaram margem para dúvidas, lá dentro o ambiente estaria mais acolhedor. De facto estava e a Leonor mostra isso mesmo na fotografia abaixo.

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Foi pena o nevoeiro a cobrir a paisagem que se estende pela encosta abaixo. Havemos de regressar lá num dia de céu aberto e farei uma fotografia para mostrar a vista que se alcança lá de cima.

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Aproveito para deixar os votos de Boas Festas e bom Ano Novo!

Lagoa das Patas, Agosto 2016

Aproveitei um passeio em família à famosa Lagoa das Patas e limpei o pó à máquina fotográfica. O resultado de tal limpeza é este. Nada de especial quando comparado com os momentos que passámos no meio da natureza.

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Quando chegámos cruzei-me com um casal de turistas que fazia uma sesta ao sol.

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Este estava desconfiado. Nunca se afastou, nem me perdeu de vista.

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Encontrámos muitos crias recém-nascidos, o que proporcionou um brilho mais forte no olhar das miúdas.

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Parte da pandilha.

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Olhar para o chão.

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Olhar para o céu.

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A caminho da pequena ermida localizada nas imediações da lagoa. À frente vai a Leonor a certificar-se de que estamos no trilho certo (há que dar espaço à aventura).

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Idem. Entretanto a Leonor já devia estar a subir a escadaria.

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Um pormenor na ermida: duas janelas, três cruzes.

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Naturalmente, nesta época do ano a lagoa está muito seca. Em breve melhores dias virão para os seus habitantes.

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Reflexo.

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Futuro trail runner.

Azores Trail Run 2016 – Preparação em curso

Este é o plano de treinos que estou a executar com o objectivo de percorrer no dia 28 de Maio os 48 km da prova FCF, uma das três do Azores Trail Run 2016, sem que para isso tenha de pagar uma penitência além do que é suposto.

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Este plano tem como base um outro que encontrei algures na imensidão que é a Internet, onde de resto abundam as recomendações deste género, e adaptei-o ao que pretendo, dentro das minhas capacidades, considerando o objectivo a que me proponho. É um plano que serve para ajudar-me a ser disciplinado durante a fase de preparação (a vontade por si só, sem disciplina, não encerra em si tudo o que é necessário). Trata-se de um plano de treinos para levar a sério, para meu próprio bem, já que é preferível sofrer durante a fase de preparação do que no dia do juízo final. E o que eu pretendo é gozar a prova com o mínimo possível de sofrimento.

É neste plano que deposito a minha confiança, mesmo tendo de trocar um ou outro treino e saltar um ou outro dia devido a indisponibilidade pessoal / familiar, ou até mesmo se o corpo me disser para abrandar ou para acelerar. Ou seja, é maleável. Contudo, tento ser-lhe o mais fiel que me é possível.

Sendo um plano desenhado para 16 semanas, a verdade é que iniciei-o já no decorrer da quinta semana. Isto, porém, não me atrapalha em nada a agenda até ao dia 28 de Maio. Até lá há muito trabalho para meter nas pernas. Tem corrido bem e estou com ganas, o que é muito bom.

Percurso, altimetria e informação dos abastecimentos do FCF (azorestrailrun.com/2016/apresentacao):


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