Vá p’ra fora cá dentro [ilha Terceira, Agosto de 2016]

Algumas das consequências visuais (além das que ficam retidas na memória, ao lado das emoções) resultantes dos passeios que temos feito na ilha Terceira, onde vivemos, cumprindo o slogan “Vá para fora cá dentro”.

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A Leonor nas Furnas do Enxofre.
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Vista para a Serra de Santa Bábara, parcialmente coberta.
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Cheirando o bafo da Terra nas Furnas do Enxofre
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A Francisca na Lagoa da Falca
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Ainda na Lagoa da Falca (já a Francisca tinha escapado).
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Idem
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De papo para o ar (é tão bom…).
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O pico do Pico, entre o mar e o céu, visto da Serra de Santa Bárbara.
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Vista para as freguesias São Mateus, São Bartolomeu, Cinco Ribeiras e Santa Bárbara, a partir da serra.
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Pôr-do-sol nas Cinco Ribeiras
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Idem (será que conseguiram criar a ilusão?)
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Idem

flickr.com/photos/miguelcbettencourt

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Entre o Pico do Areeiro e o Pico Ruivo

Na véspera do MIUT – Madeira Islando Ultra Trail, de que darei conta num destes dias, fui com um dos meus parceiros de corrida e amigo, o Valter, fazer o reconhecimento de um dos troços mais desafiadores desta prova de trail running: o trilho que liga o Pico Ruivo ao Pico do Areeiro. Trata-se de um local que impõe respeito. Até para fotografar senti que o devia fazer com algum cuidado.

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Duas Perdiz-vermelha a fechar este alinhamento de fotografias.

STUT 2017 – Não correu bem, nem correu mal.

Mentiria se dissesse que me correu bem a participação no STUT – Santo Thryrso Ultra Trilhos, no passado dia 12 de fevereiro. Não correu bem, ponto. Cheguei ao fim dos 53 km, alcançando o pórtico de chegada a faltar dois minutos para as nove horas em prova, e consegui concretizar o objectivo da minha ida ao STUT: fazer desta prova um treino para o MIUT – Madeira Island Ultra Trail. Ou seja, se o STUT não me correu bem, o facto é que os principais objectivos foram alcançados, o que faz com que também não me tenha corrido mal de todo. Porém, para correr bem faltou completar a distância em menos tempo, apenas isso. Não fui com o objectivo de fazer a coisa em tempo recorde (meu recorde, entenda-se), mas esperava conseguir terminar mais perto das oito horas de prova do que das nove.

Foram dois os motivos que me obrigaram a fazer algumas paragens, além das que são habituais nos postos de controlo e de abastecimento. Ambos bastante incómodos, devo dizer.

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Se bem me lembro, neste momento ia ainda com cerca de 8 km metidos nas pernas.

O primeiro motivo, divido por três momentos de introspecção no meio da natureza: um desarranjo intestinal. Forçou-me a três paragens, escondido nos arbustos, a aliviar-me. Foram três paragens breves, mas somadas terá dado qualquer coisa à volta de quinze minutos agachado a ouvir o canto dos pássaros e da chuva, e as vozes de alguns dos atletas que passavam não muito longe de mim – a escassos metros, na verdade, sem darem pela minha triste sina.

O segundo motivo, o mais penoso, teve origem no quilómetro trinta por percurso. Encontrava-me no posto de controlo e de abastecimento de Pilar, à cota de 550 metros, com um frio a que um açoriano não está habituado. A chuva caía e a canja de galinha prometia ser um regalo, quer para o corpo quer para a mente. Comer uma canja durante uma ultra é um luxo que nos conforta o estômago, brindado-nos com uma dose sempre bem-vinda de proteína e de hidratos. Agarrei na tigela cheia até à borda, esta escorregou-me da mão esquerda atingindo em cheio dois dedos desta mão: o anelar e o do meio. A canja não estava quente… estava a ferver! Resultado: dois dedos parcialmente escaldados. Nem dois minutos passados já eu tinha bolhas de queimadura em cada um deles.

A partir daquele momento fatídico a prova mudou para mim. Com dois dedos escaldados, tinha ainda pela frente vinte e três quilómetros e calculei que seria uma penitência percorrê-los. E foi uma penitência, acreditem. Ainda no posto de controlo e de abastecimento, onde roguei pragas à galinha que triste fim teve para delícia dos atletas – pragas que de nada me valeram pois a desgraçada estava mais cozida do que eu -, pensei em desistir. Mas a vontade em chegar ao fim foi mais forte. Cerrei os dentes e pensei nos riachos e nas ribeiras cujas águas geladas esperavam os meus dedos nelas mergulhados. Foi o que me valeu, aquelas águas. Assim, o resto da prova ficou marcado por pausas frequentes, cujos intervalos de tempo entre elas variaram entre cinco e dez minutos em corrida, ou caminhada quando foi caso disso. Ou seja, contabilizadas por alto todas as pausas que fiz para aliviar a dor nos dedos, acredito que perdi com elas qualquer coisa como trinta minutos. Ora, estes trinta somados aos quinze dispensados para as descargas intestinais impediram-me de terminar o STUT mais próximo das oito horas de prova do que das nove. Azar. Sim, azar é o que foi.

Mas lá cheguei ao fim, recebi a tão merecida medalha de finisher e um Jesuíta, doce típico da terra, saboroso digo-vos. E cumpri o objectivo: treinar para os 85 km que a Madeira tem à minha espera, no próximo dia 22 de Abril.

De resto, o STUT em si não me cativou. É uma prova dura com trilhos técnicos interessantes, subidas que nos fazem suspirar e descidas que nos recomendam ir com cuidado. O mau estado do tempo apimentou-a, em certa medida, e noutra nem por isso. Mas é uma prova que não tem nada que me faça lá voltar. O percurso é maioritariamente em matas muito próximas de aglomerados habitacionais, aos quais não só fazemos razias como os atravessamos demasiadas vezes. Não é um percurso que nos faça sentir que estamos tão só no meio da natureza e nada mais. Há sempre, ao longo de todo o caminho, sinais sonoros e visuais de que a civilização está ao virar da esquina. Em termos paisagísticos também não brilha. Se me perguntarem se recomendo esta prova, direi Sim, mas só ao nível da organização.

O que me deixou francamente indignado foi o lixo que encontrei ao longo do percurso, na sua maioria embalagens de gel energético largado descaradamente por atletas que iam à minha frente, apesar de ter visto umas quantas com sinais de que já lá estavam há mais tempo. Há pessoas que não deviam ir para os trilhos, mas vão, lamentavelmente – quer lá quer cá, desculpem-me a franqueza. São eles que estão a estragar algo que significa antes de tudo o resto a comunhão entre a natureza e quem a aprecia através de uma actividade de lazer e/ou desportiva, seja ela qual for. Valeu-me saber que a organização do STUT não se revê nesta triste postura e os seus membros empenharam-se em limpar os trilhos dias depois da prova.

E é isto basicamente. Mais haveria a relatar, mas há coisas que ficam para nós próprios, gravadas na memória.

Venha o MIUT!

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Madeira que vale tanto como ouro.

Cantos e Contos à Lareira

Centro de Interpretação da Serra de Santa Bárbara, ilha Terceira – 17 Dezembro 2016.

O Parque Natural da ilha Terceira realizou uma tarde cultural no Centro de Interpretação da Serra de Santa Bárbara no dia 17 Dezembro, numa sessão dirigida especialmente às famílias, onde a gestão sustentável dos recursos naturais, a biodiversidade, a água e a cidadania foram alguns dos temas abordados.

Com o Helder Xarvier no papel de contador de histórias, tendo desempenhado a tarefa muitíssimo bem, apesar de o próprio não rever-se neste papel, e a Susana Coelho nas canções, proporcionando momentos deliciosos que só a sua voz o consegue fazer, aquela tarde de sábado foi muito agradável.

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Na rua o frio e o nevoeiro não deixaram margem para dúvidas, lá dentro o ambiente estaria mais acolhedor. De facto estava e a Leonor mostra isso mesmo na fotografia abaixo.

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Foi pena o nevoeiro a cobrir a paisagem que se estende pela encosta abaixo. Havemos de regressar lá num dia de céu aberto e farei uma fotografia para mostrar a vista que se alcança lá de cima.

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Aproveito para deixar os votos de Boas Festas e bom Ano Novo!

Lagoa das Patas, Agosto 2016

Aproveitei um passeio em família à famosa Lagoa das Patas e limpei o pó à máquina fotográfica. O resultado de tal limpeza é este. Nada de especial quando comparado com os momentos que passámos no meio da natureza.

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Quando chegámos cruzei-me com um casal de turistas que fazia uma sesta ao sol.

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Este estava desconfiado. Nunca se afastou, nem me perdeu de vista.

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Encontrámos muitos crias recém-nascidos, o que proporcionou um brilho mais forte no olhar das miúdas.

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Parte da pandilha.

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Olhar para o chão.

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Olhar para o céu.

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A caminho da pequena ermida localizada nas imediações da lagoa. À frente vai a Leonor a certificar-se de que estamos no trilho certo (há que dar espaço à aventura).

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Idem. Entretanto a Leonor já devia estar a subir a escadaria.

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Um pormenor na ermida: duas janelas, três cruzes.

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Naturalmente, nesta época do ano a lagoa está muito seca. Em breve melhores dias virão para os seus habitantes.

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Reflexo.

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Futuro trail runner.