Projecto MiudosSegurosNa.Net na Praia da Vitória

A Associação de Pais e de Encarregados de Educação da EBIPV, a Escola Básica e Integrada da Praia da Vitória e a Câmara Municipal da Praia da Vitória apresentam entre os dias 26 e 29 de Março de 2017 um conjunto de quatro palestras sob o tema Segurança Online – Miúdos Seguros na Net, sendo três destinadas a crianças e jovens e uma direccionada para Pais e Encarregados de Educação e a comunidade em geral, sendo orador o fundador e dinamizador do Projecto MiudosSegurosNa.Net, Tito de Morais.

Segurança Online-001Tito de Morais fundou o Projecto MiudosSegurosNa.Net, uma iniciativa familiar que, desde 2003, ajuda famílias, escolas e comunidades a promover a utilização ética, responsável e segura das tecnologias de informação e comunicação por crianças, jovens e adultos.

Autor de centenas artigos sobre o tema, participa em acções de sensibilização e dá formação sobre este tema. É também membro do Conselho Consultivo da equipa Portuguesa do projecto EU Kids Online, uma iniciativa financiada pela Comissão Europeia e representou o Projecto MiudosSegurosNa.Net como Parceiro no Centro de Segurança Familiar da Google. Foi ainda avaliador externo do projecto “Cyber Training? Taking Action Against Cyberbullying”, financiado pela Comissão Europeia que produziu um manual para formadores no domínio do cyberbullying.

Com 18 anos de experiência profissional no uso da Internet, desenvolve a sua actividade profissional como consultor. Natural de Boston (EUA), passou a sua infância em Bagdad (Iraque) e Maputo (Moçambique), vivendo actualmente no Porto (Portugal).

Abaixo, “Os Jovens Portugueses e o uso das plataformas sociais na Internet” – Infografia vídeo.

Pára-me de repente o pensamento

Pára-me de repente o pensamento
Como que de repente refreado
Na doida correria em que levado
Ia em busca da paz, do esquecimento…

“Pára-me de repente o pensamento”. Assim começa o poema da autoria de Ângelo de Lima, publicado em 1915 na revista “Orpheu”. Anos antes, em 1894, o poeta e pintor foi internado no Centro Hospitalar Conde de Ferreira, Porto, com o diagnóstico de “delírio de perseguição”.

Para reencontrar a personagem para a sua peça de teatro, o actor Miguel Borges decide passar três semanas com os actuais pacientes do hospital. Durante esse tempo, partilha com eles as conversas, as refeições, as terapias, o café e os cigarros. O documentarista Jorge Pelicano, autor dos documentários “Ainda Há Pastores” e “Pare, Escute, Olhe”, pega na câmara e segue os seus passos, filmando 250 horas desse convívio e aprendizagem.

A montagem final resultou num tratado de uma hora e meia sobre a loucura e a lucidez (teaser). É um tema complicado de ser abordado pela sociedade mas que aqui tem uma visibilidade bastante humana e real pela lente deste jovem realizador, Jorge Pelicano. Um filme genuíno e arrebatador.

Com a iniciativa do Cine-Clube da Ilha Terceira e do Alpendre – Grupo de Teatro, no âmbito do projecto “5 Sentidos”, “Pára-me de Repente o Pensamento” estreia no dia 3 de Dezembro de 2015 no Alpendre, em Angra do Heroísmo, assinalando o Dia Mundial das Pessoas com Deficiência. A entrada é livre.

"Somos analfabetos do silêncio", por José Tolentino Mendonça *

Ao que parece, durante anos, o compositor John Cage sondou a possibilidade de elaborar uma obra completamente silenciosa, mas impedia-o duas coisas: a dúvida se uma tarefa assim não estaria, desde logo, votada ao fracasso, porque tudo é som; e a convicção de que uma composição tal seria incompreensível no espaço mental da cultura do Ocidente. Contudo, encorajado pelas experiências que se realizavam já nas artes visuais, construiu a sua peça intitulada 4’33”. A proposta de Cage era completamente insólita: os músicos deviam subir ao palco, saudar o público, sentar-se ao instrumento e permanecer, em silêncio, por quatro minutos e trinta e três segundos, até que, de novo, se levantassem, agradecessem à plateia e saíssem. Na assistência instalou-se a polémica e choveram as vaias. Mas ao longo de toda a sua vida, John Cage referiu-se a essa peça com sentida reverência: A minha peça mais importante é essa silenciosa; não passa um só dia que não me sirva dela para a minha vida e para tudo o que faço. Recordo-a sempre que tenho de escrever uma nova peça. Quando penso no contributo que a experiência poética ou religiosa possa dar num futuro próximo à humanidade, penso francamente que mais até do que a palavra será a partilha desse património imenso que é o silêncio. Na palavra fazemos a experiência da diferenciação, experiência certamente fundante, mas também ela parcial e insuficiente. Precisamos do auxílio de outra ciência, a que recorremos pouco: o silêncio. Isaac de Nínive, lá pelos finais do século VII, ensinava: “A palavra é o órgão do mundo presente. O silêncio é o mistério do mundo que está a chegar”.

Creio que é absolutamente urgente revisitarmos com outro apreço os territórios dos nossos silêncios e fazermos deles lugares de troca, de diálogos, de encontros. O silêncio é um instrumento de construção, é uma lente, uma alavanca. As nossas sociedades investem tanto na construção de competências na ordem da palavra (e pensemos como a escolarização está ao serviço da capacitação dos indivíduos em ordem a um funcionamento eficaz com a palavra) e tão pouco nas competências que operam com o silêncio. Somos analfabetos do silêncio e esse é um dos motivos porque não sabemos viver na paz.
O silêncio é um traço de união mais frequente do que se imagina, e mais fecundo do que se julga. O silêncio tem tudo para se tornar um saber partilhado sobre o essencial, sobre o que nos une, sobre o que pode alicerçar, para cada um enquanto indivíduo e para todos enquanto comunidade, os modos possíveis de nos reinventarmos. Mas para isso precisamos de uma iniciação ao silêncio, que é o mesmo que dizer uma iniciação à arte de escutar. Na sociedade da comunicação há um défice de escuta. Numa cultura de avalanche como a nossa, a verdadeira escuta só pode configurar-se como uma re-significação do silêncio, um recuo crítico perante o frenesim das palavras e das mensagens que a todo o minuto pretendem aprisionar-nos. A arte da escuta é, por isso, um exercício de resistência. Ela estabelece uma descontinuidade em relação ao real aparente, à sucessão ociosa do discurso, à enxurrada que a telenovelização do quotidiano (seja ele político, económico ou cultural) comporta. A escuta constitui uma cesura, um corte simbólico, uma deslocação.
Pense-se em como o silêncio dá a ver o património de uma amizade. E a pergunta é: como percebemos que dois desconhecidos são amigos? Pela forma como conversam? Certamente. Pelo modo como se riem? Claro que sim. Mas ainda mais porque nitidamente acolhem o silêncio um do outro. Entre conhecidos o silêncio é um embaraço, sentimos imediatamente a necessidade de fazer conversa, de ocupar o espaço em branco da comunicação. Com os amigos o silêncio nada tem de embaraçoso. O silêncio é um vínculo que une.
* Publicado originalmente na revista E do Expresso (12-06-2015)

Via email (obrigado Rui!)

B.I. das Tabernas e Quase Espanto

Se descerem um pouco esta página encontrarão dois grupos de ligações para sítios que visito regularmente na Internet. No primeiro grupo está os “Sinais”, crónicas diárias (de segunda a sexta-feira) da TSF, com a assinatura de Fernando Alves.
Ouço os “Sinais” diariamente, e se por qualquer motivo não ouvir a emissão do dia logo pela fresquinha, faço por ouvi-la logo que surja a oportunidade para dedicar brevíssimos minutos exclusivamente ao “Sinais” do dia – ouvir os “Sinais” implica necessariamente, pelo menos no meu caso, não ouvir, ler ou prestar qualquer tipo de atenção a absolutamente mais nada.
Ouvir estas crónicas é uma espécie de pontapé de saída para o dia que se apresenta, ou para o dia que passou.
Através dos “Sinais”, através do Fernando Alves e da sua apuradíssima capacidade de análise e de interpretação da vida social, política, artística, entre tantos outros factores que caracterizam a nossa vivência em sociedade, tenho chegado mais longe no que respeita ao conhecimento da enorme riqueza cultural e social portuguesa e internacional. Na mesma medida, ouvir estas crónicas, proporciona-me a possibilidade de reflexão a partir de diferentes perspectivas acerca do que vai mal, ou menos bem, em Portugal e por este mundo fora. 
Para quem vive no meio do Atlântico Norte, onde muitas ondas de rádio não atingem a costa das ilhas de bruma, a Internet possibilita-nos obter o que as frequências não alcançam. Neste caso falo da TSF, através da qual ouço mais do que os “Sinais” – a Radar é outro bom exemplo, de onde absorvo os maravilhosos “Vidro Azul” e “em transe”, entre outros programas. Há mais, claro, muito mais, a Internet é um mundo e as rádios online, podcasts e afins são mais do que as mães.
Bom, partilho convosco a introdução acima, em jeito de nota pessoal, porque há duas emissões recentes dos “Sinais” que me deixaram com vontade de ouvir o Fernando Alves falar sobre os respectivos temas durante bem mais do que os tais brevíssimos minutos. São elas, 1) “B.I. das Tabernas“, emitida a 3 de Abril do corrente mês, e 2) “Quase Espanto“, emitida há precisamente há cinco dias.
Desde o passado fim-de-semana que pretendia partilhar aqui estas duas crónicas. Foi hoje.

Os “Sinais” nas manhãs da TSF, com a sua marca de água de sempre: anotação pessoalíssima do andar dos dias, dos seus paradoxos, das suas mais perturbadoras singularidades. Todas as manhãs, num minuto, Fernando Alves continua um combate corpo a corpo com as imagens, as palavras, as ideias, os rumores que do vento  actualidade. (em “Sinais“)

Formas de Amar… (por Mário Venda Nova)

Eu não conheço pessoalmente o Mário Venda Nova, apesar de mantermos contacto online e trocarmos impressões, opiniões e ideias, sobretudo no domínio da fotografia. Ele é dos fotógrafos que conheço cujo trabalho admiro e interpreto como se privasse com o próprio além da esfera digital, com as músicas dos Joy Division a preencherem as conversas que teríamos acerca dos mais diversos temas e assuntos – dizem-me as entrelinhas do seu blogue “O Elogio da Sombra“, que recomendo vivamente, apesar de estar parado há mais de um ano. Nas tais conversas a Fotografia assumiria naturalmente um lugar de destaque.
Vai este meu abraço virtual para o Mário a propósito da primeira parte do seu projecto “Love Will Tear Us Apart”, intitulada “formas de amar…”, cujas fotografias proporcionaram-me mais uma vez a possibilidade de admirar e interpretar o seu trabalho.
Como se o conteúdo fotográfico do slideshow não fosse suficientemente interessante, ainda tem como… vá lá, banda sonora, uma versão que eu desconhecia até hoje de uma das mais bonitas músicas dos Joy Division. Nesta versão de “Love Will Tear Us Apart” a voz é de Jarboe, dos Swans.

//player.vimeo.com/video/116282295
formas de amar… from mário venda nova on Vimeo.

O trabalho do Mário Venda Nova no domínio da fotografia pode (e deve) ser visto e apreciado no seu Portfólio online em mariovendanova.com.

"Pedra-Ilha" no Museu de Angra do Heroísmo

Uma pedra que descansa imperturbável numa paisagem é uma testemunha do tempo. É um foco que irradia energia sobre o ambiente que a rodeia. O tempo e o espaço fluem à sua volta da mesma forma que a água a rodeia, moldando-a, criando ondas, poças e correntes.

Pela pedra sente-se uma força impregnada por tudo o que é natureza.

Um equilíbrio frágil e imprevisível faz-nos perceber uma energia violenta (poderosa) que se encontra contida nos elementos naturais. Não temos influência sobre essa força, mas somos testemunhas dela e por isso a minha intenção nunca poderia ser a de dominar o caos, é apenas a de aproveitar a sua energia criadora sendo esta energia e os seu processos os pilares que sustentam a Terra e a Vida.

A pedra torna-se assim, para mim, num meio para compreender a natureza que existe em nós e em todas as coisas. A pedra é madeira, água, erva….

Procuro a simplicidade, a beleza que não se exprime por palavras. As ideias revelam-se num momento de comunhão com o material, e depois inicio uma viagem em que tento redescobrir o que vi ou senti nesse momento de “claridade”. Tenho a necessidade de tornar visível o que sinto que existe, mas que nem sempre se compreende. A minha intenção não é acrescentar nada à natureza, mas sim conhecê-la como um participante activo, não tentando imitá-la, mas querendo que a sua energia seja o alfa e omega da obra de arte.

Baltasar Pinheiro

Salman Khan e a Khan Academy

Nesta palestra TED Salman Khan explica por que criou a Khan Academy, que começo agora a descobrir. Vale a pena ouvir, e abrir a mente para novos horizontes e novos desafios no que concerne ao futuro da educação.

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